***Poemas de Amor***

Apresentados ao Prémio Poesia em Rede - Publicação Final

 

 

(1) A Tempestade que não entra...

 

A Tempestade que não entra...

 

Vejo à minha frente

Um caminho diferente

Um caminho que se diz contente...

Mas eu...

Perco-me no meio de palavras divergentes...

O sonho, só, não basta

Preciso de algo que me afaste

Da ilusão, da incerteza, da incoerência.

A realidade, apenas, não é suficiente

Quero acreditar e confiar nos meus instintos...

Nas minhas vontades...

O nevoeiro, calmamente regressa à minha vida.

Uma nova estação se apresenta.

O vento bate à minha porta

Mas a passividade impede-me de a abrir

Impedindo também que me transforme...

Impedindo que me permita a modificar...

Impedindo um turbilhão de emoções...

Impedindo uma tempestade capaz de lavar as feridas mais profundas...

Quero-te como um furacão.

Quero-te como uma catástrofe,

Como algo capaz de me deitar abaixo...

Mas que em seguida me dê a mão para me erguer outra vez.

E assim de cara e alma lavada talvez mude o meu caminho...

E assim talvez siga mais uma vez por estradas erradas

na esperança de um dia voltar a encontrar-te...

 

Inês Montenegro 

 


  (2) Quero Amar-te

Quero Amar-te

 

Quero amar-te como ninguém te amou;

Em toda a parte quero ter-te sem fim;

Como se fosses tu uma parte de mim;

Amar-te até desconhecer quem sou;

 

Quero encontrar-te se ninguém te encontrou;

Passear contigo entre as flores do jardim;

Colher as mais perfumadas que o jasmim;

Para que por ti saibas quem se apaixonou.

 

Quando te imagino sabes o que eu vejo:

Alguém que encheria todo o meu ego;

Por isso encontrar-te é o que eu almejo.

 

E se não podes amar-me por medo

Aqui te deixo um secreto desejo:

Seremos amantes em grande segredo!

 

Ass: amante secreto

 


 

  (3) Ardente

 

Ardente

  

Cinzento vejo um céu.

 Afirmo que não é o meu!

Olho para o meu céu

E vejo que é tão cinzento quanto o teu.

A que conclusão poderei chegar?

Tão simplesmente quero-te amar!

Amor, que palavra estranha,

Rima com dor e arde como lenha.

Arde compulsivamente num coração que também é meu.

Arde compulsivamente e de vermelho pinta o nosso céu.

   

Bruno Migue  Afonso Silva

 


 

 (4) Chorei

 

Chorei

 

Chorei, chorei baixinho…

Uma lágrima caiu no silêncio da noite.

Um silêncio triste e profundo

Que me trás uma leve brisa de saudade.

Um conjunto de sentimentos

Que se transformam num sonho,

Um sonho que se desfaz em nada,

Um nada que afinal é tudo

Mas um tudo que eu não sei se existirá…

Sei apenas o que sinto.

Sinto um vazio na alma,

E, ao mesmo tempo,

Uma eterna e paciente esperança

Capaz de secar todas as lágrimas

Que eu já chorei e mais aquelas

Que eu sei que ainda vou chorar…

… Por nós …

Por ti, por mim

E por este sentimento ao qual eu não consigo dar um fim.

Sentimento esse, capaz de ultrapassar

Qualquer barreira só para estar contigo.

Será esse sentimento forte

Que se chama "amor"?

 

 Rute Lopes

 


 

 (5) Queria ter você por uma noite

 

Queria ter você por uma noite,

para poder te dizer e te mostrar,

o que eu tenho para te oferecer...

 

Dar-te carinhos,

abraços,

amassos...

 

Dar-te-ei também,

meu coração,

cheio de amor,

esperança.

 

Sentimentos que se unem,

e fazem florescer a paixão,

que está presa dentro do meu ser...

Está escondida,

e só se mostrará para você.

 

Mostrar-te-ei também o caminho,

o caminho da felicidade,

que todos procuram,

mas poucos encontram!

 

Só aquele de coração puro,

De sentimentos verdadeiros,

Consegue encontrar o caminho

da felicidade plena...

 

Nome: Bruno Ramalhete

 


 

 (6) Horas Quentes

 

Horas Quentes

 

Olhos azuis, cor do mar, tão ardentes;

Cabelos loiros os meus versos afagavam,

Sobre juncos dobrados, mas contentes

Por enlaçarem as bocas que se beijavam.

 

Minhas mãos, docemente lhe tocavam

Numa alegria vibrante e entontecida,

Seus braços com volúpia m´abraçavam,

Deitados sobre a areia adormecida.

 

Sob aquele mórbido Sol escaldante,

As ondas espraiavam-se com cadência...

E os beijos sôfregos, nesse instante

Eram segredos na nossa consciência.

 

Embriagados pelo Sol, pelo prazer...

Renasceu em nós a alegria de viver!

          

                                      Tó...Patudo

 


 

 (7) Amar

 

Amar

 

Ensinaste-me a amar,

Prometes-te comigo ficar,

Breve foi o sonho, amor

Teu beijo perdeu o sabor.

 

Meus sonhos desabaram,

Meu corpo perdeu a cor,

Meus olhos nunca tanto choraram,

Como por ti meu amor.

 

Meu mundo desabou,

Já não há magia,

O arco-íris desbotou,

A minha vida já não tem dia.

 

Preciso de ti,

Preciso que saibas que te amo,

O meu mundo não é nada sem ti,

Quero-te de volta!

 

 

Autora: Sara Nobre

 


 

  (8) Amo(r)te

 

"A m o (r) t e"

 

 

Estamos os dois no café, sentados,

E as palavras fogem-me e o momento,

E os pensados e os sabidos e os achados

Fogem com o tempo.

E ele vai-se passando. E passa! -

Como o vento; não!, Como o mar ou a maré

Ou como as ondas que no fim desaparecem.

 

É preciso agir, e saber, porque no fundo,

As palavras, assim como o amor, perecem...

Meu amor, tomemos para nós o mundo!

Guardemos as nossas lembranças e os fados

Que os meus fados foram por fim levados

Pelo vento; não!, Pelo mar ou pela maré,

Ou pelos relógios que estão adiantados.

 

Talvez não; e talvez já seja tarde demais,

Mas será que no fim, isto foi suficiente?

Decerto que não, decerto que eu queria mais.

Decerto que me contento com o olhar,

Mas quero o calor!, Quero a emoção, o transtorno, a ligeireza,

Todas essas sensações que vêm com o sabor

De um pedaço amargo de solidão

E talvez amor à mistura! Ou talvez não.

 

Estamos os dois no café, sentados,

E eu penso em ti, sem que as palavras me saiam.

E eu olho por ti, no silêncio da noite,

Onde as palavras voam tristes pelo céu

E isto não é mais que um mundo teu.

 

Autor: Luís Mendes

 


 

  (9) Romance

 

Romance

 

Olha o mundo.

E faz perguntas, como se nascesses agora, sobre o que vês.

Sobre o que é a luz, e a realidade, e a subtil diferença

Entre o superficial e o profundo.

E então, se quiseres mesmo, talvez

Consigas entender o que sinto na tua presença.

E consigas perceber o que é renascer a cada momento,

E ter uma luz diferente cada dia.

E saber que o que sou é porque és,

E que sem isso nada mais é que deserto.

E que se te pareço a ti incerto,

A incerteza é tua porque para mim não há

Juras e promessas além de ti,

E leis além do que me dizes e olhas.

E quero, isso quero,

Quero-te amar não ao ponto de dar a minha vida por ti,

Mas ao ponto de dar a minha vida contigo.

Quero amar-te não ao ponto de dar a minha vida por nós,

Mas sermos nós a minha vida.

E quero amar-te para além do significado das palavras

E para além do significado do amor,

Mas nunca para além do teu significado.

E se não quiseres,

Não precisas de querer.

O amor não se quer, cria ou transforma.

Existe, em mim, por ti até morrer,

E se não existe em ti, nada a fazer, pois não se forma.

 

Pedro Leitão

 


 

(10) Meu calcanhar de Aquiles...

 

Meu calcanhar de Aquiles...

 

Ninguém sabe como me dói ...

Ninguém sabe como me mói ...

Aquilo que me fizeste...

Ninguém sabe como me dói ...

Ninguém sabe como me mói ...

Aquilo que me causaste...

Ninguém sabe como me dói ...

Ninguém sabe como me mói ...

Como me magoaste ...

Ninguém sabe como me dói ...

Ninguém sabe como me mói ...

Saber p'lo que me trocaste...

Ninguém sabe como me dói ...

Ninguém sabe como me mói ...

Saber que não tentaste...

Ninguém sabe...

Aquilo...

Ninguém sabe...

Mas eu sei...

 

Heber Rebelo

 


 

(11) Ilusão

 

Ilusão

 

Amor é chorar por quem não nos merece,

É beijar a alma de quem nos entristece.

É esperar por ti,

Mesmo sabendo que não estás aqui.

Amor é aquilo que sinto por ti,

Algo que destrói a minha paz

E que faz com que tudo me lembre de ti,

E não me deixe apagar um amor

Que apenas me traz sofrimento e dor.

Porque no fundo continuarei a te amar,

Porque és o sol que ilumina as minhas manhãs

Para continuar na esperança de amor impossível.

E esperarei até ao infinito dos meus dias,

Quando reparares que existo já terei morrido;

Pois é pior a dor de me ignorares do que te ver com outra.

Quanto te vejo o meu coração fica apertado

Por momentos espeta-se um punhal nele,

Depois acalmo-me e penso

Será que um dia poderei estar a teu lado.

São quase inesquecíveis os teus olhos,

Que tanto sonho durante a noite.

E a tua boca quando me sorri faz-me voltar a ilusão,

Ilusão que é amar-te apaixonadamente,

E esperar por ti inesperadamente.

Com um momento que jamais acontecerá

Eu te abraçar e ter-te só para mim.

Para mim seria o fim,

O fim da dor de um amor que vive da esperança...

 

bcelia1989

 


 

(12) Um poema de amor!

 

Um poema de amor!

 

Um poema de amor aqui escrito

Como o fizeram todos os poetas,

Mesmo usando palavras incorrectas

Pode ser declamado como favorito;

 

Amor que todos os cantores cantaram,

Melodias por compositores compostas,

Estátuas nuas em museus expostas,

Pintores que em telas fantasiaram;

 

Causa maior de todas as histórias

Em nobres salões e palcos encenadas,

Em livros, filmes, e nas memórias...

 

...Enredos que mais não são que o reflexo

De hormonas em entranhas segregadas...

Pois, o que seria do amor se não houvesse o sexo!?...

 

Pseudónimo: sapinho.pt

 


 

 (13) Meu Amor

 

 

MEU AMOR

 

COMO A CHUVA LÍMPIDA

QUE CAI DO CÉU COM FERVOR

MOLHANDO A TERRA SECA FERIDA

ASSIM ÉS TU MEU AMOR

 

COMO O AGASALHO QUE NUM GESTO DE NOBREZA

ALGUÉM GENEROSAMENTE OFERECE

AO POBRE TIRITANDO DE FRIO E TRISTEZA

ASSIM ÉS TU O SOL QUE ME AQUECE

 

COMO O FAROL IMPONENTE E SOLIDÁRIO

QUE INDICA O CAMINHO A SEGUIR

AO NAVEGANTE PERDIDO E SOLITÁRIO

ASSIM ÉS TU, A LUZ QUE ME FAZ SORRIR

 

COMO O HOMEM QUE AO VAGABUNDO DA ABRIGO

UM LUGAR UM REFUGIO NA TEMPESTADE

ACALENTANDO COM UM ABRAÇO AMIGO

ASSIM ÉS TU, O MEU PRÍNCIPE A MINHA MAJESTADE

 

COMO A LAREIRA CREPITANTE QUE AQUECE

ALGUÉM GELADO PELO RIGOROSO INVERNO

ASSIM ÉS TU, AQUELE QUE MERECE

QUE O NOSSO AMOR SEJA ETERNO

 

Maria Oliveira

 


(14) Sonheto invertido


Sonheto invertido


Sonho porque nada mais há a fazer.
Sonho porque sonhando não perco a esperança.
Sonho porque só assim posso voltar a nascer.

Dos meus sonhos se desfez uma vida.
E com ela os seus sonhos;
E os seus amores sonhados.

E tudo o mais que possa sonhar,
Nesta vida de sonho não faz criação.
Só o sonho de te ver, de te amar,
Só o sonho de grandeza, de imensidão.

Sonho para voltar a nascer,
E de novo voltar a sonhar.
E nos meus sonhos me voltar a perder,
Sonhando acordado, até um dia finar.


Jorge Romão


 

(15) Amor, Desamor, Afecto
 

Amor, Desamor, Afecto

Amor , desamor, afecto

Divagar no concreto e,
Amordaçar o grito perfeito de dor
Auxiliar quem mais teme
Proteger a força do leme
Dar de caras com a verdade
E , até ter piedade
De quem dificilmente o merece.
Escutar uma simples prece
Chapinhar na água pura
Ouvir uma vozinha terna
Ao abraçar com fervor
A sua imagem materna
Para simplesmente demonstrar amor.
Crer estar Feliz
Sê-lo mais do que se  diz
Enfrentar um fraco destino
No olhar de um menino
Que quer ser homem forte.
Debater, sacudir, enfrentar a morte
Andar no mundo da Lua
Encontrar do outro lado da rua
O que se julgava perdido
Sem dar importância ao intelecto
Assim...é simplesmente isso!
Amor, desamor, afecto!

Marisa L.


 

(16) Amor e Dor

Amor e Dor

Eu vi na minha mãe assim um sofrer,
Na dor que amanhece e prossegue avante.
(De esclerose múltipla até morrer,
Mas do amor de Deus nunca foi distante).

Foi uma dor que não via escurecer,
Na cadeira que a fazia caminhante,
Escutava a chegada do bem-querer,
Na luta pela vida ir p'ra diante.

Deixou-nos um legado extremoso:
Entre mar e terra Deus é união;
Amor e dor chama-nos à oração.

Se um dia, o céu luzir, for mais formoso
E as nuvens revelarem a estrela,
Assim, sem dor, que bom seria vê-la!

 
Azoriana

 


 

(17) Porquê Meu Amor?
 

PORQUÊ MEU AMOR?

Quero esquecer que existes
E não consigo
Quero esquecer tuas palavras luminosas
E não consigo
Quero esquecer nossos momentos
E não consigo
Quero esquecer que te quero
E não consigo
Quero esquecer as madrugadas de sonho
E não consigo

Porquê, meu amor?
Porque não consigo

Estás permanentemente no pensamento
Vives eternamente no meu coração
O que falhou meu amor
P’ra esta afrontosa desilusão?

És a fantasia do meu desejo
És a saudade que dói
És um sonho que sinto, fugir
Porquê meu amor?
Porquê?

Porquê, esta dor que não cala
Porquê, este silencio que fala
Porquê meu amor?

De: Fernando Ramos


 

(18) Ao meu amor

Ao meu amor.
 

Cada vez...

Cada vez que olho o céu
Sonho com o teu olhar
[Estrelas dizem que és meu
E só tu me podes amar].

Da tua flor, que se chora
É pela dor qu'então sente:
Cada vez que vais embora
A saudade entra na mente.

Não me deixes ficar só
Beija a tua flor de jardim;
Ata de vez este nó
E fica junto de mim.

Amo-te enquanto viver,
Faz-me falta esse olhar;
Nem é preciso escrever
Que contigo vou sonhar!

A_Medusa


 

(19) Fantasmas do Amor...

 

Fantasmas do Amor...

 

A minha VIDA?...

É um passado que nunca passou;

Um sofrimento que nunca acabou;

Um romance que nunca começou.

As RECORDAÇÕES?...

É uma doença que meu corpo alimenta;

São um pesar, uma tormenta...

É o que me mata e o que me sustenta.

São a minha razão de viver

O que me traz alegria e o que me faz sofrer.

O TEMPO?...

É uma busca sem encontrar;

Uma ferida que teima em não cicatrizar;

É uma dor que se transforma em alento;

É simplesmente tornar mais forte o sofrimento.

É o veneno que teima me matar;

É o antídoto que me vai salvar.

O SOFRIMENTO?...

Não há palavras para explicar

Os estragos que pode causar.

É uma palavra sem significado;

É um punhal no peito cravado;

É o que traz a alma e o coração sufocado.

A VIDA, as RECORDAÇÕES, o TEMPO e o SOFRIMENTO

São os fantasmas do amor no tempo.

São a minha razão de viver,

São também o motivo pelo qual

Eu te não consigo esquecer.
 

De:   Sílvia Maurício

 


 

(20) Por Ti...

Por ti...

Amor, por tudo o que tu és,
Por tudo o que representas,
Por todo o bem que me fazes
Mesmo quando não tentas..
Por seres tão forte
sem nunca desistires,
Pela força que me dás somente por existires,
Pelos sorrisos que me arrancas nos momentos de tristeza,
Por adoçares os meus olhos com essa tua beleza,
Pelo teu coração que tão rápido me conquistou,
Pela esperança de um "nós" que nunca se apagou,
Por me fazeres sorrir,
Por me fazeres xorar,
Por me fazeres viver,
Por me deixares sonhar,
Por essa alma linda que Deus te deu,
quero que saibas que te amo!
E que serei para sempre teu...

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(21) Fundição do Amor
 

FUNDIÇÃO DO AMOR

Muitas gotas d'água fazem chuva,
Muitos grãos d'areia fazem desertos,
Abraços e muitos beijos fazem amores
Trazendo-os para mais perto!

O amor tudo amarra,
Quem o tem a ele fica amarrado,
É navio que não sai da barra,
Mas navega, mesmo parado!

Amor é orvalho da manhã,
São os raios do luar,
São os beijos que o amor nos dá
De manhã até ao deitar!

O amor guia nossos passos
Para satisfazer nossos desejos
De a alguém dar muitos beijos
E cair nos seus braços!

Mas o amor, o amor real,
O perdido e fatal,
O de doces gritos e ais,
É quando dois amores se unem
E se fundem em  muitos mais!

.........XXXXXXXXXX.........
Autor: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque


 

(22) Tu

TU

 

No meu olhar te vejo,

tal e qual relâmpejo,

belo, fulgás e furtivo !

É a esse teu olhar sereno,

ao qual eu me recomendo,

quando a sós estou contigo.

 

Param  os tambores,

e  os dissabores,

como um grande eclipse total !

Só te vejo a ti,

nada mais há aqui,

e mesmo tu pareces irreal.

 

Qual aurora boreal,

de beleza anormal,

impossível de definir!

À qual eu não minto,

e digo o que sinto,

quando começas a sorrir.

                                                                                                             Alb.
 


 

(23) Confissão

CONFISSÃO
  
Com paciência esperei sua chegada.
Fiz-me santa, guardei meus anéis de prata.
Cabelos escovados, olhos em soslaio
medindo os centímetros da tarde de verão.
Quando chegou, eu já estava pura.
Tentei esconder essa embriaguez
que seu cheiro me dá:
a memória grita sonhando
com amêndoas doces de Tiro e Sídon.
Mas não.
Quando senti seus músculos sobre mim
- desataram as máscaras.
Seu silêncio, eu sei, é pudor.
Ele de repente lembra de certas dançarinas do cais
e vê em meus olhares
éguas, cadelas, gatas.
Nunca uma mulher apaixonada.

     - Semíramis -


 

(24) Soneto V - O nosso amor


Soneto V – O nosso amor
 
A entrada do teu prédio
não é um palácio das estórias sem fim,
são apenas umas escadas
um muro cinzento e um jardim.
 
A tua casa não tem mil quartos e salas
nem porcelana, nem prata, nem ouro,
tem apenas uma colecção de bonecas
e o quarto do meu tesouro.
 
E o nosso amor inconstante
sem reinos nem diamantes
é de todos o mais capaz...
 
Tem o riso, o choro, o grito
e o sorriso mais bonito
porque é assim que o amor se faz!
 
 
Kordny
 


(25) Amo-te, palavra linda

Amo-te, palavra linda
usada ainda para exprimir,
o que vai no coração
na pulsação e no sentir.

Amor, de todas a mais bela
é a cinderela do coração.
Loucura, de uma aventura
refúgio de uma desilusão.

Quero-te, é uma expressão
de todas ainda a mais sincera,
simples e directa
que não afecta em qualquer hera.

Desejo, é como um beijo
que estando maduro é só colher.
Paixão, de um momento
de um tormento razão de ser.

Agora, me dei a conhecer
ficaste a saber quem eu sou,
não desprezes e não gozes
este homem que sempre amou.

O amor, loucura e paixão
existirá sempre no meu coração.
O desejo, é o sentimento
que me dá alento, que me dá razão.
 

                                                        Buck.


(26) O Tempo


O Tempo
 

"Já não há tempo para nós,
O tempo perdeu-se
E nós perdemo-nos
Um do outro.
Já nem o vento vem soprar à minha porta
Palavras de amor,
Já nem chove nas manhãs de inverno,
Abandonaram-me as estações.
 
O velhinho que passava de manha cedo,
O da carroça dos bois,
Morreu...
Morreu de madrugada
Morreu sozinho...
Quem cuidará agora dos bois?
 
Já nem a solidão passa à minha porta,
Disse-me, a solidão
Que aqui já não há nada...
Nada para esquecer,
Tudo porque o tempo já passou
E até o tempo
Se esqueceu de mim."


Clitie


 

(27) De Pedro para Inês

 

De Pedro para Inês

 

Cheguei a ti seguindo o teu perfume

De flor de lua, flor da minha vida.

O teu espírito acendeu em mim um lume,

Que o teu corpo ateia em incêndio prolongado.

E nada ficaria além de profunda ferida,

Se esse lume alguma vez fosse apagado.

 

Trouxeste-me a frescura da aurora,

O despertar de um tempo adormecido.

O teu amor intenso faz-me ser agora,

Liberto das amarras da razão,

Quem nunca fui mas sempre quis ter sido,

Rumando a um mar de sentimento e emoção.

 

E nesse rumo ao leme vais comigo,

O meu Amor por ti dá-me coragem.

Teu companheiro, teu amor, teu melhor amigo

Prometo ser, com a minha boca na tua.

E como um só, partimos nesta viagem.

Em direcção a casa. Em direcção à Lua.

 

Voa comigo meu Amor. Vem!

Nunca te sintas insegura.

As nossas almas são quem nos sustém

Para além do tempo, para além do espaço,

Pois é o Amor que cria o texto ou a gravura

Quando a paixão explode em cada frase, cada traço.

 

  Vlad
 


 

(28) A tua luz

A tua luz

Do breu que percorri sem fim,
Dos caminhos em que não me achei e não te encontrei,
Na escuridão onde me encerrei sem destino
Mergulhada em lágrimas que deitei por causas perdidas.
Aí onde me escondi do mundo e da sorte,
Aí vi a tua luz.
Brilhava na noite onde vivia
Tão forte como o luar,
Tão sublime como a prata que cobre o mar...
Não mais os meus olhos se cegaram com o infortúnio,
Deixei entrar a tua luz dentro de mim
A minha alma encheu-se de flores
E o meu cheiro doce encheu o mundo de alegria.
Abracei o meu destino sem medo de me perder de novo
E caí nos teus braços
Onde baralhei o fado da vida e me cruzei com o amor.
Não sei se nado a seco
Se vivo, mas estou morta...
Não sei se me iludo de fantasias
Se sonho, mas vivo em pesadelos.
O que sei, do que sinto, do que vejo
Nada é tão real como o brilho que reflectes em mim.
Nada é tão terno como o calor do teu corpo em mim.
Nada é tão certo como o teu amor em mim.
Olhos nos olhos,
Corpo no corpo,
Corações, os nossos
Amor sem fim,
O nosso!
 
18.01.05
Cat



(29) Amar...
 

Amar…

O amor...
Algo muito complicado...
Amamos quem não queremos
e não amamos quem devemos...
Se o procuras não o encontras,
se o evitas das de caras com ele...
Umas vezes é longo mas muito calminho,
outras é curto mas muito intenso...
Chega sem avisar e
vem sempre para ficar...
Não quer saber se é bem-vindo nem
dos estragos que fez ou que vau fazer...
E por mais que estejas preparada,
consegue sempre surpreender-te...
Não faz girar o mundo mas
faz valer a pena que o mundo gire...
O amor é algo que...
Simplesmente acontece...

Susana Diogo


 

(30) Amor é Mar


Amor é Mar
 
O amor é tão grande como o mar
Tão forte e de um encanto infindável
Até é capaz de matar
O amor é tão belo como o mar
Onde adultos são crianças
Os olhos brilham, o coração acelera,
A existência tem outro sentido diante do amor
A perfeição tem outra visão diante do mar
A vida tem outros valores diante do amor.
 
Tal como o mar, o amor se renova em ciclos
no mar são as marés, que sobem e abaixam as águas
no amor, são os pequenos sinais, as delicadezas
o respeito, a afeição pelo outro, as lembranças
que vão edificando um sentimento maior que o mar
maior que o próprio amor, acelerando com a idade
sendo tão bondoso que abre mão de si mesmo
quando deixa de ser uma paixão
para se tornar cumplicidade.
 
Enfrente ao mar, contemplo as ondas no vai e vem sem fim
e tenho esperanças, que assim como as ondas
o amor que se foi, pode dobrar, ou se renovar
e assim como estou diante do mar
poderei estar diante de um novo amor
para um reiniciar, num indo e vindo infindo
como o próprio mar, como o próprio amor.
 
Fernando de Sousa Pereira

 


 

(31) Vulcões


Vulcões
 
 
Uma brisa suave anuncia-nos o Céu
quando em extâse cubro o teu corpo como um véu.
Que na troca de olhares, no sorriso cúmplice
tudo o que somos se resume.
Quando nada se diz e o suor escorre
e o teu prazer pede que o exume
os beijos falam...
e o medo morre!
 
Aí, o vulcão que te liberto mergulha-me;
minha boca sente na tua todo o mel
dos favos ricos, da tua sede, do pincel
com que a tua mão pinta arrepios na minha pele.
 
E a tua lava envolve-me, ardente e segura
e deixa do meu pranto a fonte enxuta
E quando ao acaso o teu verbo augura
entrego-me extático sem dar luta!
 
E é aí, nesse mesmo momento
em que partindo da tua face benzida a prazer,
do teu espírito já errante, viajante, voador,
que o meu se funde à tua Paz com um grito que vem ser
como o de Ipiranga, libertador!
 
Voamos para além do Céu!
Voamos para além da dor!
Voamos para viver o que o destino nos investe...
A Paz celeste...
O nosso Amor!
  

Rui Diniz (13/ago/2004)


 

(32) Imagino

Imagino

Neste exacto momento
em que escrevo estas palavras,
é teu o meu pensamento,
embora tu não o saibas,
em que, num sorriso, recordo
o toque da tua pele
e imagino nos teus lábios
o mais puro e doce mel.
E imagino segredos
e histórias por revelar;
e com a ponta dos meus dedos
anseio em te tocar;
e num tom de voz baixinho
ao teu ouvido sussurrar,
enquanto te faço um carinho,
enquanto leio o teu olhar.
E, logo depois, lentamente
pegar na tua mão;
sentir nela, o teu corpo quente,
sentires nela o meu coração.
E depois suave e doce
afagar o teu cabelo,
como se um poema fosse,
como se pudesse eu escrevê-lo.
Imagino finalmente,
ou talvez seja um desejo,
abraçar-te ternamente,
enquanto provo o teu beijo. 

Mythos


 

(33) Sem ti


Sem ti

 
Sem ti
o tempo arrasta-se,
- lagarta pesada e viscosa
em cujos anéis me enredo.
 
Sem ti,
cada hora passa
com a lentidão de um dia,
e a cada uma afloras
com a persistência de um relógio.

Sem ti,
criam-se clareiras de sombra
na minha vida,
explodem buracos negros
em que me afundo e perco.

Sem ti
morrem sonhos,
escurece o olhar,
sobram os gestos.

Sem ti,
não quero.

D.L.


 

(34) E se eu não quiser esperar.


E se eu não quiser esperar.
 
E se eu quiser não esperar,
Nem mais cinco minutos,  nem a hora acordada,
Nem atrasos, onde olhássemos na ansiedade que nos espera,
No manto escuro que agora se sente,
Onde deixássemos a imaginação para outra conversa,
Onde perdêssemos  todo o tempo,
Para ouvir-te comandar o meu sonho, e eu o teu,
Rasgar o meu coração de dúvidas, de fugas e ódios,
Esquecer o protocolo,
Qualquer um que agora se aplique, que agora se exija,
E nos beijássemos, sem limites,
Tal como nos apetece, tal como nos treme debaixo da pele,
Esquecendo a vergonha que não temos, perdida.
 
E se eu não quiser esperar,
Nem mais um suspiro de tédio, pela relógio parado, e correr,
Atravessar a cidade em hora de ponta, enorme, intransponível,
Só para chegar mais cedo, agora mesmo,
Para poder ver-te descer as escadas, tão devagar quanto possível,
Para poder não perder o mesmo brilho que trazes nos olhos, irreal,
Que já não vejo, e beijo,
Sem esperar.

 
Daniel Costa-Lourenço


 

(35) Tânia

TÂNIA

 
Outrora ao preterir-te,
Banir-te do meu coração
Cometi nefasto pecado venial
Arrependido recebi remissão
Hoje meu amor é incondicional.
Amo-te mais do que antigamente
És a menina dos meus olhos,
Minha eterna mulher
Não uma relação desvanecente.
Sua cabeça é avançada
Tenho que acompanhá-la
Para dizer-te
Panegíricos lindos, sutis, inteligentes
E coroar-te definitivamente como minha amada.
Agora tenho certeza
Que você me ama e ficará ao meu lado
Esmerar-me-ei para o nosso amor nunca acabar
Descobri que alimentar esse amor
É uma rica e prazerosa proeza.
Meu amor é você
Sendo assim...
Não amar-te-ei como um proxeneta
Nosso amor a cada dia
Está mais perto de Deus
Livrou-me do tédio
Quando vivia como anacoreta.
Tu és indescritivelmente bela nenúfar
Plantada no jardim em Marte
Deixo claro pra todo que me lê
Como é bom amar-te.
    
 
AUTOR: ROBERTO MAURO THOMAZ

 


 

(36) Amante amor meu!

 

AMANTE AMOR MEU!

 
                                     AMOR QUE PAIXÃO PERFEITA
                               ENCONTRO DO INCONFUNDÍVEL CAMINHO DE FELICIDADE
                                COMO PALAVRA, LÉXICO, VOCÁBULO VIVO NA VERDADE
                              EM UM SONHO SEM FIM, MAIOR QUE OS ALPES E MONTANHAS
                      DESEJO MAIS VIDA COMO SE A VIDA JÁ NÃO FOSSE MAIS REAL
                             O AMOR ARDEU NA PONTA DO MEU SENTIMENTO E SEM VER ENTRA E ARDE NO PEITO
                             VEMOS TUDO COR DE ROSA APESAR DISSO
                               SOMOS CALADOS E EXTROVERTIDOS
                                  MEIOS BOÇAIS OU INTROVERTIDOS
                          NÃO SABEMOS DIFERIR O BEIJO DA MANHÃ COM A DA NOITE
                                  TUDO TÃO IGUAL COMO ESPUMA MARÍTIMA E QUE RITMA
                                     AS BATIDAS QUE O AMOR DESACELERA COMO LANCINANTE
                                        ARMADILHA, A CILADA QUE TODOS CAÍMOS...
                                         SEMPRE POR CULPA DO HORMÔNIO AQUELE FEROMÔNIO QUE NO MASCULINO OU FEMININO SEDUZ COMO LICOR DIAMANTE VERDE ESTRO DE ESTIRPE ENVOLVENTE, CAÍMOS NAS GARRAS OLENTES DA ABELHA RAINHA,
                      O CORAÇÃO É CRIMINOSO, VÍTIMA, AMBÍGUO, AMIGO
                            FACETAS MESCLADAS TUDO ACONTECE AO MESMO TEMPO
                                     COMO VULCÃO, FORÇA DUM TUFÃO, GRANDE MAREMOTO
                                      OPORTUNA TEMPESTADE DE VERÃO, AULIDA CHEIA AO DENTE DE GASTRONOMIA POÉTICA, COMEMOS A SEIVA HERMÉTICA DOS SORRISOS OU DANTESCOS CHORO E TUDO ISTO É SÓ UM RESUMO SUCINTO DO QUE SENTIMOS NA HORA DO AMOR!
 

EDEMILSON REIS


 

(37) Para não deixar de pensar

PARA NÃO DEIXAR DE PENSAR


Conhecemo-nos num dia longínquo
Revelaste-me a plena essência do teu ser e eu a ti a minha
Não procurámos desvendar os insondáveis mistérios do Universo
Nem falámos acerca de lugares comuns.
A conversa informal, incomum,
Deu lugar a vastos e nobres sentimentos.

Despedimo-nos mais tarde, noutro dia longínquo,
Em que tomámos diferentes direcções,
Apesar de teres confundido todos os meus sentidos.
Separados pelo tempo e pelo espaço, inacessíveis
E sem promessas
E sem esperança.

Hoje, sei que sinto saudades Tuas.
Se sinto, o meu sentimento é por pensar em Ti.
Se choro, as minhas lágrimas são Tuas.
Se AMO, o meu Coração é Teu.
Tenho que to entregar pessoalmente,
Ele não está bem assim.

Se o meu sonho és Tu,
Então, não quero acordar desse sonho,
Porque no meu sonho
Penso em Ti perto de mim.

Na realidade, apenas posso pensar em Ti.
Estranha realidade,
Onde apesar de tudo,
Posso pensar em Ti.


Leonor Hoje


 

(38) Este amor que não cabe nas palavras

 

ESTE AMOR QUE NÃO CABE NAS PALAVRAS

  

Escrevo-te hoje, ontem e sempre, sei que existes,

encontro-te na poeira dos meus olhos.

Sinto o teu rosto queimando nos meus dedos, onde

procuro o sol dos teus desejos.

Procuro-te, naquele abraço azul da cor do céu, e, naquele

momento em que a minha lágrima faz companhia a dias perdidos.

Há segredos que deixam pegadas no meu corpo, 

e têm o teu sorriso no calor da meia noite.

Quando te vi, pensei, que era a tua serenidade que se juntava

à minha melodia de mil cores, num desejo de

existir, e ter nos olhos da lua a eternidade desta paixão.

Perdi-me, num puro desejo de ser amada, e num despertar

longínquo de ilusão.

Juras-te que sim, numa melodia de palavras soltas e

alucinadas deste amor.

E no pranto duma rosa, supliquei-te ternura.

Lentamente, entornaste a noite sobre o meu corpo, e o teu sorriso

desenhou na minha alma, esta paisagem de aromas que vive

dentro das minhas palavras de poesia.

Em arabescos quero escrever na orla dos teus olhos, palavras dum instante feliz, sem segredos, sem aromas,  na madrugada que teima em pintar o arco-íris numa estrela sem luar.

Amanhã haverá outro luar...pintado com lágrimas que vão pingando em taças de cristal, onde gaivotas em soluços de paz

irão beber gota a gota os sinais já esgotados desta paixão.

Sabes onde estou??

A caminho duma montanha de PAZ.

Espero-te !!!

Tens lá a tua ternura...e a minha lágrima que secou...por TI...

 

Amália LOPES
 


 

(39) Dormindo

Dormindo

Quando o Amor te vier despertar,
Sem setas, sem asas, apenas ar,
Continua a dormir.
Quando ele se quiser apresentar,
Cobrindo-te os seios, cheios, com flores,
Néctar, beijos, e nocturnos odores,
Aspira-os como se fosses mar,
E continua a dormir.
Que o Amor, tal como o fogo, é assim,
Feito de luz aberta à escuridão.
Sussurra entre os lábios que és um não
E escreve com os dedos que és um sim.
E continua a dormir,
Quando ele, o Amor, te vier raptar.
Imitando o mar, deixa-te levar
Até ao mais fundo infernal dos leitos.
Juntem os dois peitos,
Acordando apenas para as carícias
E delícias eternas
De quem, como tu,
Se descobriu nu
Perante a luz velada das lanternas
A que chamam estrelas.
Essas, que sem sê-las
Assim se fixaram no firmamento,
Alheias à morte e ao pensamento.
Sossegadamente, assim, a dormir...
E há quem diga que a sorrir.
Como tu.

Manuel Anastácio


 

(40) Teu corpo, árvore

 

Teu corpo, árvore

(canção de amor do pinheiro macho)

 

Não sei de que amora azul silvestre

Nem de que fundo acidulado

Demora teu corpo lento agreste

Rente ao meu corpo aprisionado.

 

Sei só teus braços ramos norte

Troncos e pernas tropeções

Sei só do frio que lavra forte

Corpos e braços e corações.

 

 Rafael Cayetanno.

 


 

(41) Tenho o teu cheiro dentro de mim

 

Tenho o teu cheiro dentro de mim

Tenho-o na minha lembrança…

Sossega-me a ALMA

Ter-te a meu lado!

 

Companheiro,

Amigo,

Confidente,

 

És para mim o meu porto de abrigo…

A quem recorro para desabafar!

Enfrentas comigo o mundo

Que dizes não ser maior que eu…

 

Pois,

Eu penso diferente!

O nosso amor…

 

Esse sim…

 

É maior que o mundo.

 

Sandra Amaro

 


 

(42) Sobre o poente...

 

Sobre o poente...

 

gosto do pôr-do-céu

no pôr-do-sol no mar

 

e do pôr-do-sol no mar

no adentrar da terra

 

quero o pôr-dos-teus-olhos

no pôr-do-céu dos meus

e adentrar os meus-mar

nos teus-terra

 

com o pôr-do-sol no mar

ao fundo... sobre o Poente...


Cristina Fidalgo

 


 

(43) Saudades do teu Amor!

 

Saudades do teu Amor!
 
Já vai longe o tempo em que tocar-te era a luz do dia,
Vai longe o cheiro que sentia…
Infelizmente não passam de lembranças,
Neste mundo de mudanças!
Saudades de tocar-te, de te abraçar…
Saudades das palavras que trocámos com furor.
Palavras já gastas de tanto lembrar…
Tão inócuas e incendiadas por tanto amor.
Tudo acabou… tudo se desvaneceu!
 
Se arrependimento matasse,
Estaria já enterrada,
É como me sinto,
sempre que penso em ti, amargurada!
Prossigo no entanto uma vida, um tanto ao quanto vulgar
Por guardar no meu coração para sempre o teu lugar!
Por cem anos que viva…
Estarei sempre à tua espera,
Por arrependimento, sofro esta quimera!
 
Constança

 


 

(44) Ainda mais

 

AINDA MAIS

 
                    Busquei, querido amor, lá nesses céus,
                    A luz que me dá vida, que me guia,
                    Busquei a sua origem, dia a dia,
                    Até que a encontrei nos olhos teus.

                    Ergui, bem alto, a voz, orei a Deus
                    E pedi-lhe, repleto de alegria,
                    Que as emoções que, junta a ti, sentia,
                    Fossem, para sempre, os sonhos meus.

                    E se o amor me diz que a busca é finda,
                    Meu coração desperta em mil natais
                    Cada um brilhando em cor tão linda,

                    Que os nossos segredos serão iguais:
                    - Tu dizes que me queres mais ainda!
                    - Eu juro que te quero ainda mais!

                               Autor - TIAGO

 


 

(45) Amor

AMOR

 

Quando te conheci

Gostei logo de ti

Mas nunca pensei sentir

O que sinto hoje por ti

 

Entraste de mansinho

Entraste sem bater

E eu nos teus braços

Acabei por me perder

 

Contigo a minha vida

Tem outro sentido

Surgiste sem avisar

P’ra mim és muito querido

 

És tudo para mim

Sem ti não sei viver

Vem comigo caminhar

Juntos vamos vencer

 

Quando penso em ti

Meus olhos parecem rir

Faço tudo p’ra estar contigo

Não te quero ver partir

 

Autora: Carla Jesus

Janeiro de 2007

 


 

(46) Gênese

 

Gênese
 

Amar a alma
Inevitável em sua pureza cromática

No alvo beijo a beber o abraço

Das bocas a se encontrarem sedentas

Pelo desnudar das almas

E do fio único a velar

O cálido corpo desejante.

 

O enlevo tornado infindo,

quando à alma goza o abraço

e à volúpia transpõe o êxtase

e os corpos quedam-se repletos

a gozarem sua plena imperfeição,

é inefável às bocas fatigadas

e às mãos a repousarem arquejantes

sobre os sexos saudosos e silentes.

 

O êxtase do instante se expande

Às almas a entreabrirem-se em flor

Transbordando eternidades

A deflorarem a noite insondável.

 

O corpo morre no seio da noite

Para que nasça a alma...

 

E os amantes

Despem-se,

Pela primeira vez.

 

 

Gustavo Figueiredo

 


(47) Um Rio com vida...

Um Rio com vida…

Nas águas límpidas de um rio

Corre a força de um olhar,

Não tem rosto, não tem olhar

Tem o sorriso puro de uma gota

E a certeza de te procurar.

Por pedras, correntes e ramos

Percorre distâncias infinitas

Sem nunca te encontrar,

Toca ténues imagens dos teus lábios

Na esperança de te abraçar.

De margem em margem perdida

Deixa-se no teu corpo aninhar

Numa entrega sem depois,

Num momento intemporal,

Para só depois sonhar.

Ao longe alcança terra

Na felicidade do teu amor,

Mergulha na profundidade, sem nunca hesitar

Entrega-se de alma na essência de amar

Apenas com vontade de te acarinhar.

 

                        Berta Maria Machado da Silva

 


 

(48) Néctar


 
         Néctar

Brinca
Com a ilusão
De que eu existo
No teu mundo
Derramando pérolas
Transparentes de paixão
Com um brilho intenso
Saindo do canto mais profundo
Do meu coração.

Colecciona todas elas
Num hermético recipiente
Para que não se evaporem
Da tua mente
E, quando a saudade
Acordar,
Tira e prova uma delas,
Sente o seu odor
Inebriante,
Junta uma lágrima,
Saboreia
E deixa-te embriagar
Com esse néctar
Incolor,
Receita de fadas e duendes,
Feito por mim
Num sonho
De amor.

Autor: Maria



(49) Beija-me
 

Beija-me

 

Beija-me

Como se fosse a primeira vez...

Beija-me apaixonadamente

Como se fosse a última vez.

Mas beija-me,

Nem que seja em pensamento,

Quero que me beijes

Em todo o momento.

Beija-me

Com esses lábios ardentes

Esquece o passado

E vive o agora...

Beija-me...

Preciso perder-me em teus braços.

Beija-me, beija-me, beija-me

E esquece as lágrimas que deito

Que os teus beijos me acalmem...

Beija-me somente

E ao saber que existes

Posso ser feliz novamente.

 

SUSANA CUNHA

 


 

(50) Traços

TRAÇOS

 

Desejaria céus cinzentos

onde a esperança se concentra,

onde as árvores tremendo,

estendem os seus braços de fada,

sonhos caprichosos levados nas

ervas beijadas pelo vento.

Desejaria sentir, entre as minhas coxas, o

sopro imenso dos milhões de homens da terra.

Desejaria ... olha, olha o que quero ...

Desejaria beijar-te com o tempo.

- preferível aliviar o meu tormento ... -

  

Fernando Lopes

 


 

(51) Metamorfoses de Ti

 

Metamorfoses de Ti

 
No sal, nos óleos e no alecrim
emerges no cheiro deste banho,
molhando-me a alma aos pingos,
chapinhando em mim secretamente,
numa água oculta, azul-placenta.
 
És corpo em metamorfose,
mudando-me o som dos dias iguais.
Tornaste corpóreo no vinho, na pimenta
e nas papoilas de sangue que nos acenam,
escondendo searas inseminadas de beijos.

Sozinha dou-te a mão e não te toco,
só te olho sorrindo... Pois sei
que amanhã estarás noutro corpo,
transformado em novo brilho, ou canto,
nesta mudança contínua em que nos amamos.

Levanto o copo,
brindo à vida e bebo-te!
Hoje és champanhe rosa em cristal,
metamorfose de estrela aquosa,
cujo nome me ensinaste, no mapa da noite.
 
Sozinha,
Levanto o copo, e não sendo acidente,
derramo-te em mim, eternamente.

 
Aziul D`Aire

 


 

(52) Doce e Amargo

 

Doce e Amargo
 
Sinto teu gosto
teu corpo, teu rosto
não sinto saudades
minha alma tem liberdade
 
Toco tua pele delicada
sinto teu corpo na madrugada
mordo tua língua quente
acordo de repente
 
Os dias escorrem como água na cachoeira
mas o amor não passa, é para a vida inteira
vivo plenamente na minha ilusão
nossos corpos em completa fusão
 
Sinto o inexistente
permaneço dormente
toco o intocável
um amor irrevogável
 
Acordo
na boca
o doce e o amargo
 
O amor é doce
O amor é amargo
  
 
Nome: Sara Pereira Borcezi

 


 

(53) Derramares essas lágrimas puras

Derramares essas lágrimas puras
oriundas de um último beijo,
ainda ofegante,
corta-me o coração;
E faz-me pensar o quanto te amo,
e o quanto preciso de ti.
Não te posso perder!
Mas o sofrimento por amor
tudo justifica, até a morte.
Dos deuses,
temos esse amor,
uma chuva sob o sol,
para lembrar o que veio
e o que virá.
E dessa chuva nos alimentamos:
uma memória do passado,
uma sombra para um futuro;
a história da nossa morte,
a gota de uma nova vida.
Que futuro me reservam as tuas lágrimas?
Qual o segredo desses caracóis ?
Olhei as minhas mãos encharcadas
mas só vi raios de luz opacos,
ancorei um pequeno no lábio
soube-lhe a doçura de uva,
eclipsei-me sob a vinha infindável
e adormeci ao canto dessa chuva.

Luís Lagoa


 

(54) Amar-te-ei...

 

Amar-te-ei...

 

Corre-me nas veias,

Confesso!

Esta forma subtil

Este desejo

Esta vontade.

Contesto!

Essa necessidade

Que a minha nudez, anseia

Na sombra do teu rosto.

Arremesso!

Os gemidos de prazer

Que calo em mim,

Através do teu beijo.

O beijo que adultera

Que me engana...

Menosprezo!

Qualquer tormento

Vem!

Procura,

Esta impúdica

Que te chama...

 

 Conceição Bernardino

 


 

(55) Voltar a cair em ti?

 

Voltar a cair em ti?

Deixei tudo para trás,
Desarrumei as malas.
Com as ideias organizadas,
Deslizei para ti.

Envolvi num sorriso
Nesse teu jeito suave de ser.
Deixei-me levar,
Pois só contigo sei viver.

Encontrei-te no teu mundo,
Um mundo que tu desenhas,
pintas à tua maneira
e eu quero estar num prateleira.

Encantei-me com o teu sublime olhar,
O que me faz apreciar a beleza do teu estar,
A suavidade dos teus lábios
E a pureza do teu sonhar.

Sim, por ti, eu me apaixonei.
Senti necessidade de te voltar a ver,
De te ter nos meus braços
Para sentir o amor a renascer.

A imensidão e a beleza de tudo de ti,
Faz-me sentir o homem mais realizado do mundo
E faz-me acreditar que a minha vida és tu.
Neste mundo eu e tu, somo um.


                               Tó-Zé

 


 

(56) Não sei como apareces de repente

 

Não sei como apareces de repente

atrás de qualquer coisa tão comum.

Fantasma, vens do nada, do nenhum,

assombras-me dum modo diferente.

 

Não sei qual a magia que tu usas

que põe a minha vida assim presa.

Não sei como me apanhas de surpresa

e tornas-te a maior das minhas musas.

 

Não sei como te fazes nevoeiro

opaco, envolvente, sorrateiro,

que tento abraçar mas não agarro.

 

Nem sei porque feitiço ou que arte

consigo facilmente imaginar-te

no fumo que se solta do cigarro.

 

ASS. Domingos do Carmo

 


 

(57) Essência

Essência

Paro.
Penso.
Observo.
Ouço.
Permanece o constrangedor silêncio.
Espero novamente.
Aguardo.
Fico impaciente.
Tento apurar todos os meus sentidos,
Não resulta!
Apenas distingo um barulho de outros tantos,
Um som inigualável, incomparável,
O bater do meu coração quando estás perto de mim!

Não te consigo tirar do pensamento,
Nem que queira mesmo por um momento,
Desde que te encontrei que deu para perceber,
Que apenas nasci para te pertencer!

Jorge Silva


   

(58) Amor ... dá me as tuas costas para eu poder descansar ...


Amor ... dá me as tuas costas para eu poder descansar ...

Os teus braços para neles me estender ...
A tua cabeça para nela me encostar ...
Os teus lábios para me aquecerem ...
Amor ... não escondas o desejo
Que te vai na alma adiante ...
Que eu sou aquela por quem esperas
Desfiando as bainhas do tempo ...
Porquê amor ... fechares em teu peito
Esse atito intenso ...
Se eu venho a ti vagarosa ... me dar a ti  contente ...
E se na negrura dos meus olhos entrares
Poderás descobrir então as léguas que caminhei
Para me pendurar no teu colo ... serena ...

Vede amor ... o tanto que te aceno ...

poema de : Leila


 

(59) Amor Harmonioso

Amor Harmonioso

Pedi ao vento, ao Sol, e as nuvens, três elementos da natureza que me ajudassem a levar até ti um pouco de mim e do meu amor. O vento disse-me que levaria a brisa suave aromatizada com o perfume do meu corpo para que quando ele passa-se sentisses o meu cheiro, e inebriada de desejo te lembrasses de mim. O sol, por sua vez, afirmou que levaria até ti um pouco do meu calor, para que ao sentires os seus raios a tocarem no teu corpo, te lembrasses das minhas carícias. Por sua vez, as nuvens declaram que passariam junto de ti, e lá do alto dos céus fariam cair uma leve e passageira chuva onde em cada gota poderias saborear os mais variados sabores que o meu corpo te dá. Enquanto agradecia, feliz, aos três elementos da natureza que me propuseram ajudar em tão árdua tarefa, apareceu um rouxinol que disse que se juntaria ao vento, ao sol, e as nuvens, e que através do seu belo canto iria te transmitir o quanto eu amo-te.

Bruno Amarante


 

(60) O teu olhar

 

O TEU OLHAR

 

Nos teus olhos lindos e profundos

Consigo ver todos os mundos.

A paz, a luz, a amizade e a cor,

Consigo visualizar todo o amor

Que possuis no teu quente coração.

Consigo imaginar a dádiva da tua mão

Espalhando para todos a felicidade

Da tua bela e generosa amizade.

Vejo que não existem pesares

No mar que vais velejando

Dia a dia com bons ares

E sempre procurando

A chegada a um qualquer cais

Com paz,  amor e amizade

Onde nunca será demais

Distribuíres a felicidade.

Nesse olhar lindo e profundo

Com inabalável esperança

De criar um novo mundo

Pleno de real temperança

Assim vais tu pelo mundo

Pela terra,  pelo ar, pelo mar

Ensinando amor profundo

Com esse teu lindo olhar.
 

Maria Real

 


(61) Amador

Amador
 
À volta dos Sentimentos
Erguem-se espelhos gigantes
Fazendo dos Pensamentos
Meras luzes cintilantes
Que se tornam diamantes
Quando acabam Sofrimentos.
se Sofrimentos não são,
são o oposto por certo.
no que toca ao Coração
o Pensamento é incerto
e nunca lhe chega perto
por estar preso à Razão.
mas a Razão bem conhece
que Coração a dirige.
e é nele que se esquece,
quando o Sentimento o aflige,
que o Amor só nos exige
o amor que ela merece.
Amor esse que nos quer
e oprime no seu manto.
para ele sou um qualquer
para mim ele é um espanto.
deste amor só quero tanto
quanto a mim o Amor me der.
Amador é o que ama
sem pensar no que é amar.
é o que sente aquela chama
que nele arde sem queimar,
e o fulmina devagar
no seu silêncio que brama.
 
Henrique Cachetas


(62) Poema (de amor) abstracto

Poema (de amor) abstracto

Circunspecto, o Sr. Pablo pintor
assimila um verso do Sr. Pablo poeta.
Dois amantes felizes não têm fim nem morte.
Em frente da tela traça uns traços com raiva
E um ror de linhas paralelas e contorcidas
E uma catadupa de delirantes pinceladas.
Dá-lhes luz e movimentos sem nexo.
O pintor recua extenuado e relê o verso.

Os corpos foram desenhados em dois tempos.
Têm as mãos e as pernas e os braços enlaçados,
Têm olhos e nariz e boca e até sorriem
Mas são rostos subtilmente quadrados.

O poeta, em frente da tela, teria dito:
O amor é uma amálgama de cubos.

 Paulo Carreira


 

(63) Amor

Amor

  

Eu sei, meu Amor

Que nunca passeámos

De mãos dadas

Pela margem da vida.

 

Que nossos braços

Nunca se deram

No abraço

Que a alma pedia.

 

Que nossos corpos

Ignoravam

A chama que neles ardia.

 

Mas nossos olhos, Amor

A um e a outro traíam

Inventavam jardins de beijos

E em cada flor                               

Saciávamos os desejos.

 

 

Lídia Borges

 


 

(64) Os sonhos que não vivi

 

Os sonhos que não vivi

 

Na minha vida cinzenta e sem brilho,

Eu te encontrei

E por ti me apaixonei.

Sem saberes,

Coloriste o meu caminho

Com o teu sorriso e o teu carinho.

Sem quereres,

O amor, em mim, voltaste a despertar

E contigo, passei a sonhar.

 

Sonhei que vinhas ao meu encontro

E ternamente me segredavas…

“Que também, me amavas”

 

Mesmo sabendo que tudo foi ilusão,

Longe de ti e sem te ver,

É difícil te esquecer!

 

Sinto saudades dos momentos

Que contigo vivi,

Dos beijos, que não esqueci.

Sinto saudades dos sonhos,

Em que, por magia, aparecias

E com amor e ternura, me envolvias.

Simplesmente...,

Sinto saudades de ti

E dos sonhos que não vivi!...

 

Dina Rodrigues

 


 

(65) "Amo-te"

"Amo-te"

Eu sinto-me perdido
em mundos de encantar
possuo um coração ardido
que tem muito para dar.

Eu aprecio a água do mar
e o vento que sopra em redor
eu tenho o poder de te amar
e o de pensar no pior.

Mas não sou feito de ferro
Não tenho um poder infinito
e vagueio sozinho lutando
num mundo de coração aflito.

E noto o quanto gosto de ti
e vejo tudo o que sou capaz
Observo o quanto sofri
e tudo o que deixei para trás.

Não sei quando te verei de novo
Não vejo o fim deste tormento
Mas noto um futuro diferente
deste presente de sofrimento.

E sonho... sonho bem alto
E das profundezas de chamo
E subo ao mais alto asfalto
Pra gritar ao mundo o quanto de amo.

Rui Pedro Sousa


(66) Confidência

Confidência

 

Vou fazer-te uma confidência:

aprendi o ofício dos sonhos em versos

que se colam ao corpo, no fascínio ardente

de olhos teimosos de sonetos.

Há um espaço meu dentro de cada poema,

um espaço verde e cheio de areia,

um lugar de mudez, agasalhado de certezas.

Aprendi a voar em linhas, indecisa no azul

das canetas. Irada e louca aprendi a decifrar

enganos, nomes invernosos e pesados,

desfigurei névoas futuristas, dedilhei a medo

o estalar das pedras e das águas.

Parei no frio de uma manhã qualquer e

descobri as coordenadas dos meus sonhos:

perto, perto como as tuas mãos nas minhas.

Vou fazer-te uma confidência:

a tua presença é o tempo que volta,

é sinfonia que se cola ao corpo, no fascínio ardente

de olhos teimosos de sonetos.

Há um espaço meu dentro de ti,

um espaço verde e cheio de areia,

um lugar de mudez, agasalhado de certezas.

Nas coordenadas dos meus sonhos,

encontrei as tuas.

  

Márcia Gonçalves

 


 

(67) Reconheço-te

 

Reconheço-te...

 

Reconheço-te...

... em demais chamas de rua, flocos de chuva que gemem.

Num rosto amado, num chão vidrado, prestes a saltar!

 

Reconheço-te...

...entre umas mãos amanhecidas de um orvalho quente.

Num canto abandonado, num sorriso farto de crianças a sonhar!...

 

Reconheço-te...

...num branco de papel, em letras de água que queimam.

Num toque desmedido, num olhar despido cansado de gritar!

 

Reconheço-te...

... num lugar insólito com uma saudade vencida de desejo.

Num passado caótico, num véu de cores a sincronizar!

 

Reconheço-te...

Oh, como eu te reconheço nesta estrada sentida!

E neste sonho onde me abandono em caminhada,

és a desordem da minha alma, a raiz do meu espírito...

... a única voz que me guia nesta viagem sagrada!

 

Cidália Morgado

 


                         
(68) Silêncio

 

Silêncio

 

Fala-me sem falar

Perpetua esse perpetuar

Nessa língua omnipresente

Mais antiga que este linguarejar

Aquela que fez do animal gente

A única que perdurará

Muito para além da dor

A que nos une e em todos nós há

Fala-me sem falar, do amor

 

Rodrigo Coutinho

 


 

(69) Amar

AMAR

Cada um ama de uma maneira,
cada qual, ama como pode.
O amor é lindo!
O amor é tudo. Não importa como se ama, só importa o que se ama.
Se amas és amado! Temos várias formas de amar e ser amado,
mas estas formas levam ao mesmo lugar.
Sabemos bem a quem amamos,
mas sabemos também como amar.
Quando amamos nos libertamos
é no amor que encontramos vida,
é nele que nos alimentamos e nos fortalecemos.
O amor é lindo! O amor é tudo.
O amor é doação, é viver o outro, é querer o outro.
É dividir o seu amor com todos.
Se você vive o amor, não espera resposta.
Se é amor não importa,
no amor nada se perde só se acrescenta.
O amor é lindo! O amor é tudo.
Só quem ama sabe, só quem ama sente,
só quem ama respeita o sentimento do outro.
Só quem vive o amor,
só quem quer o amor investe nele.
Quem ama não fala, quem ama não recomenda.
Quem ama vive cada momento
e administra as suas carências.
O amor é lindo! O amor é tudo

Cláudia Camacho


(70) Sem título

foi assim que ela nasceu...
de uma ideia junta de ingredientes específicos
sim
sentia a falta do pai
embora habitassem o mesmo T3
sim
sentia a falta de ser-se
embora se fosse
sim
sentia a falta de algo
embora, talvez,
tudo fosse
sim
queria saltar da ponte
embora nunca tivesse encontrado uma na qual se sentisse em casa.
Assim era ela,
a minha namorada

Ana Luísa - blogspot "literaturas, litteratur, litherature"


(71) Chegaste num dia de chuva.

Chegaste num dia de chuva. Quando vieste,
trazias a lua sobre a prata do antebraço
e a vida repleta de espelhos partidos,
não permanecias.
Chegaste enquanto eu dançava sobre as mesas,
antes que os primeiros grandes aguaceiros iniciassem
o outono e o fulgor interdito de um corpo,
que antes enlouquecia lentamente sobre as mesas
na contemplação dos ventres das deusas antigas.
Essas que chegaram antes de ti.
Com as bocas cheias de sal.
Com as espáduas pintadas a cal.
só elas sabem como a carne é inculcável,
quando ama.
Com elas aprendi a soletrar as profecias
das rosas e a prece de olvidos
dos rios correndo
para o ventre das mulheres com o cio,
onde, na ânsia de lírio das mães,
germina o caule da veia,
se o amor é a equidistante distância,
o equidistante delta
das bocas abertas para a concessão da rosa
rente ao sucinto equilíbrio da cintura:
Barco naufragado no olvido
dos ventres escalando
a côncava nudez da permanência.

Luís Manuel Felício Lourenço


(72) Coisas do coração

Coisas do coração

E se o teu coração de ferro e aço

se derretesse no calor de um abraço?
E se o teu coração magoado e fechado
se abrisse com um sorriso iluminado?

E se os teus maiores medos e receios
desaparecessem atónitos e alheios?
E se os teus maiores sonhos e desejos
se realizassem numa promessa de beijos?

E se tudo o que sempre quiseste evitar
tivesse a força de uma onda do mar?
E se tudo aquilo a que sempre disseste não
tivesse o encanto de uma mágica paixão?

E se o teu coração de ferro e aço
se fundisse na ternura de um abraço?
E se o teu coração cansado desta solidão
batesse mais forte ao toque de uma mão?

E se tudo o que sempre te fez confusão
aos poucos abrisse uma porta no teu coração?
E se tudo o que nunca quiseste ter
fosse a luz mais brilhante no teu viver?

Hisalena


(73) Ébrio da Água

Ébrio de Água

O teu corpo é um copo onde bebo
A pouco e pouco a beleza de mim
Um relvado onde me estendo assim
Num descuido solto que não percebo.

O teu corpo é uma pista de gelo
Onde a minha longa língua carmim
Se desliza indomada e enfim
Se despenha pelo cabo do medo

Da tua boca onde bebo trémulo
Em sôfregos golos de eternidade
Em castos haustos de fugacidade

A profecia que me deixa crédulo
Que tu a mim pertences em verdade
E só a mim, fonte, matarás a sede!

--
David Rodrigues


 

(74) Arco-Íris

 

Arco-Íris

 

Fechei os olhos, cerrei-os para o sonho de ti

E corri para os teus braços envolventes,

Tão cheios de amor e mil mundos sem fim,

Protegida sob os teus olhos brandos e diligentes,

Brincando e sorrindo como nunca sorri.

E corri e de tão solta já voava

Ouvindo sons tão belos que a tua alma me cantava

E tão tua há tanto tempo te amava.

 

Meu anjo, que com asas de profeta do éter desceste

Abandonando o teu lar tão lindo e celeste

Tendo como único intento a realização deste amor.

Oh minha Ilusão que de mim tiraste a dor

Diz-me que me levarás para sempre contigo

E que me deixas fazer teu coração meu abrigo

Ou então solta-te dessas asas mágicas                                        

De pássaro, de anjo, de um lindo nada,

Que eu já me libertei das minhas trágicas,

Laranjas e tão enormes asas de pequena fada.

E já não as quero laranjas nem de outra cor

Porque já não me embelezam nem me fazem voar,

Agora as minhas asas são o teu amor

Que me levam onde nunca pude imaginar

E só em ti encontro o doce sabor

De um arco-íris de todas as cores que já sei de cor.

 

Verónica Simão

 


 

(75) Ser tua
Ser tua

Uma coisa vou-te contar
Que já devias saber:
Se não for para te amar
Então não quero viver

Contigo partilhar
Momentos de prazer
É tão bom te amar
Porque e que me queres ver sofrer?

Tu fazes-me feliz
Sempre fizeste, sempre hás-de fazer
És só tu quem eu sempre quis
Sempre mesmo até morrer

Era bom na realidade
Que também gostasses de mim
Entende que te amo de verdade
Nunca amei ninguém assim

Não tentes fingir
Que este amor que sinto
Depressa vai partir
É tão verdadeiro
Como foi o primeiro
Porque e por aquele
Por quem quero sentir... 

Sofia Coelho


(76) Reparei

Reparei,

 

suas mãos, robustas,

passavam meu corpo num árduo, desejo.

Seus lábios quentes e envolventes,

seu corpo, corpo meu, profundo amor.

Seu sorriso latente, permanente,

talvez por ser maduro ou vivera simplesmente.

Seus passos ligeiros,

encantavam olhares perversos,

e meus encantados por perversidade alheia.

Chamas de encanto e tanto brilho,

saudades d'abraços e sussurros ao ouvido.

 

E esperança que um dia volte.

 

 

Janete Sequeira, 15

 


 (77) Ofício de Amar - poema no feminino

Ofício de Amar - poema no feminino


Todos os ofícios requerem estudo
Mas o de amar precisa de braços, mãos calejadas,
Suor para erguer as pedras do nosso edifício.

Se a paixão sorri ao virar das esquinas,
O amor, ah! o amor de argamassa, pedra e cal,
Esse amor constrói-se das ruínas.

O ofício de amar deve ter um princípio, um meio e um fim.
Gostaria de não saber fazer outra coisa:
Amar. Amar-te. Dar tudo de mim.


Revel


 (78) Verbo Amar

Verbo Amar

 

Aproveito a noite inteira

Para me inspirar

E de outra maneira

Mostrar-te o verbo Amar.

 

Pois não existe nada melhor

Que o som do escuro

Para pensar no amor,

Que sinto e quero para o futuro.

 

Esteja acordado ou a dormir

És tu quem eu vejo,

Beijar-te, tocar-te e até te ouvir

Esse é o meu desejo.

 

Bruno Assis Paixão

 


 (79) O amor é...

 O AMOR É...

 

O Amor, é como uma onda,

É uma onda de prazer

Que invade o nosso espírito sem que nós

Possamos algo fazer para nos defender.

O Amor, é como lava de vulcão

Que escalda e derrete o nosso coração.

É felicidade, é prisão,

É como um cão raivoso que ataca sem perdão.

 

O Amor, é um elástico

Que se estica tanto que acaba por quebrar.

É faca, é bisturi, é um fantástico

Instrumento de corte que acaba muitas vezes

Por matar.

O Amor é sádico,

Faz todo e qualquer comum mortal sofrer,

Mas apesar de ser sádico todos querem senti-lo,

E ver correr da torneira do coração

Um enorme fio de prazer.

José Ferreira

 


(80) Meu coração parou
 

Meu coração parou

Os dias passam
As horas correm
As certezas morrem,
E os olhos choram
Choram por não saber,
Saber se um dia me amaste,
E eu não paro de sofrer
Com a ilusão que criaste
Mataste o artista
Sem sequer dar uma pista
Do que no teu coração morrera
Esse amor que alguma vez batera.
Sei que não errei
E triste então fiquei
Pois no fim disto tudo
Descobri que em ti me enganei
E agora dizem que fui sortudo
Porque contigo acabei.
E eu respondo, não!
Não consigo apagar
Esta incessante paixão
Deixar de te amar
Sentir que acabou,
Não, só sei que o meu coração parou.

                                                  Escrito por: Aurélio de Sousa


(81) Prisioneiro

Prisioneiro

 

É um galope esse fogo

Que arde no peito

O descontrole de

Multidões de desejos

Assim, fisgado como

Peixe no anzol

Em vão me debato

Buscando o meu Sol

De filho do aço

O meu coração se gabava

Vencido se envergonha

Se encolhe, se cala

Diante de meu algoz

Arrebatadora paixão

Não existe súplica

Piedade, perdão

Quero só minha

A fêmea desejada

Em longos dias

Infindas madrugadas

De busca insana

Por desertos sem fim

Já não sei quem sou

O que será de mim

Se cego ando em trevas

A Luz não é o meu tesouro

Mulher, é você

Fogo em minha  carne

Meu bem mais precioso. 

 

Autor: Rutinaldo Miranda Batista Júnior

 


 

(82) Dor inassimilável

 

A dor do amor

é uma dor que mata

lentamente,

devagarzinho.

Como um cigarro na boca de um bêbedo,

mastigadinho...

Como um papel mil vezes amassado,

de mansinho...

 

A dor do amor

é um ai

sem boca pra dizer...

É um ai

mais forte,

mais forte que os ais havidos...

 

A dor do amor

é isso,

é mais que isso...

É como um eterno tempo pra morrer

e novamente ser concebido.

 

 

Isac Casí

 


 

(83) O outro dia no paraíso

 

O outro dia no paraíso

 

O outro dia na praia, no paraíso

Foi o reviver de sentimentos

Nunca sentidos neste abismo

De meras emoções esquecidas.

 

O dizer de toda a verdade

Que sem querer quis que soubesses

Pois apenas quero que acredites

No que realmente a sentir estou…

 

Acredita! Musa inspiradora

Pois sentimentos eu escrevo

E não palavras que descrevem

Este meu enorme instinto

Que fica para lá de tudo o que sinto.

 

Criei… 4638 mas desesperei

E sem te tocar quis sentir-te,

Mas uma fobia por ti recriei

E senti… não conseguindo resistir-te.

 

Cansei de lutar, respirar, ate de viver!

Mas deixei o vento da noite levar

A dor que insiste em persistir.

No meu pequeno mundo ela é o mar.

 

Desistindo de ti te deixo aqui…

Para que perder seja uma vitória

Nesta batalha que me consome sangue

E me deixa preso a ti… Titinha!

 

                                    Vicente

 


 

(84) Amor

Amor

Amante,
Que ama pelas noitadas
A alquimia contemplativa das mil e uma miragens.
Quero amar-te,
Sentir a razão irracional
Tocar na queda do segredo,
E que segredo,...
Quero ver o limiar de tudo
A luz do incondicional
Quero ressuscitar em mim, em ti...
A essência...
A felicidade universal
Juntar teu coração ao meu
Eternamente,...
Respirar a minha paixão, a tua paixão
E amar-te, amar-te perdidamente...

Ana Amorim


(85) Olhos nos olhos

Olhos nos olhos

Meus olhos nos teus,
teus olhos nos meus.
Escuta meu coração,
palavras com emoção.
Soltei minhas amarras,
recolhi nossas armas.
Evoco bons momentos,
revelo meus sentimentos.
As lágrimas a rolarem,
com frases por acabar.
Teu sorriso generoso,
tem efeito poderoso.
Ternura nos teus dedos,
afasta dúvidas e medos.
Derrubámos o muro,
passámos para o futuro.
Meu corpo satélite do teu.
Minha alma no teu céu.

Pedro Arunca


(86) Realidade Irreal 

Realidade Irreal

 

 

Numa noite de Lua Cheia

Foste, linda, aparecer.

Eras um Anjo, uma Sereia…

Imaginário do meu Ser?

 

Tocaste, não era Ilusão,

Com um olhar meigo e terno,

Tornaste meu Coração

Mais ardente que o Inferno.

 

Fiquei então enfeitiçado

Por esse Amor Irreal

Com um toque de encantado

E pouco de natural.

 

Aproximaste e deste um beijo

Que percorreu o meu Ser.

A Alma ficou com desejo…

O Corpo ficou a arder!

 

Esse beijo de divindade

Fez-me então acreditar

Que para toda Eternidade

Saberia o que era Amar.

 

Pouco depois amanheceu

O Real era Ilusão.

Pois tudo o que aconteceu

Foi Sonho do Coração…

 

 

Poema de: Vasco Paixão

 


(87) Não gosto do sol

Não gosto do sol

Não gosto do sol,
Porque me seca as lágrimas.
Repudio a chuva porque as esconde...
Um sentimento frustrante invade minh'alma.
Sofro em silêncio gritando na escuridão.
Um grito surdo, inaudível aos insensíveis.
Nos confins deste sofrimento nasce um sentimento,
que acaba por morrer, antes de se manifestar...
Levando para o mais profundo desespero,
Toda a esperança de um dia te conquistar.
Derrotada assim pela solidão,
Continuo o caminho sem destino,
Acompanhada pela esperança, porém efémera,
Que acaba por se desvanecer.
Contrariando a desilusão sobrevivo,
Ao desafio que é viver sem ti,
Procurando mais uma vez sem encontrar,
O que pensara ter encontrado!
Ficando no ar a questão se,
Encontrarei alguém digno de um sonho,
Ou por quem me ouse apaixonar...
Tal como um dia me apaixonei,
Tal como um dia eu amei...

sophia santos


(88) Perder

Perder

Fui assaltado
Em minha história
Meu destino
E em minha sorte.
No querer
Não mais
Que o desvanecer,
A morte.

Foi perder a inocência
Viver sem sentido,
Foi correr na incoerência
O meu amor sentido.

Em mar de perdição
Secura abunda,
E em submersas visões
O tempo fecunda,
As profundas sensações
De um enredo
São vivências de um sonho
Onde não há medo.

Decerto não mais
Seguro teu sonho,
Nem escorro lágrima
Ou sinto o bater do coração,
Apenas me evado do sentir
Vou morrer na ilusão.

Bruno Miguel


(89) Ao ritmo soluçante do comboio

Ao ritmo soluçante do comboio

 

Vejo-te passar por mim,

Cada vez mais rápido,

Até seres só, raios de luz.

Caminhamos em sentidos contrários,

Direcções distintas,

Rumo ao norte

Rumo ao sul.

Já não te vejo…

Sinto apenas

A brisa quente,

O ar movido

À tua passagem.

No início foste vendaval,

Remoinho…

Pensei que janelas calafetar

Para não te permitir entrar.

Passada a loucura

Fica o carinho,

Talvez, ternura?

Hoje, és raio de luz,

Brisa calma

Ao descer da noite.

Cai o pano,

Acaba a cena.

Mais um poeta

Da minha vida

Que se ausenta.
 

Miriam

 


(90) Amar dói

Amar dói

revolta amarga da doce ternura do teu olhar
patética solidão provocada pela saudade da tua companhia

amar dói...

entristece, alegra, ridiculariza, eleva, mói
espasmos de violência preenchida com a beleza da agonia
poeta, pessoal, mal formado, mal acabado
faca que fere, corta o coração com simpatia
sorriso do ódio que me consome
despertar do amor que não dorme
amar dói...

lastprophet - Bruno Pereira


(91) Amo logo existo

Amo logo existo

 

nada...mais que nada

nada mais que isto:

um conto de uma fada

ou de um nada,

frágil semente e germinação.

nossa mão e passos estrada a fora

fazem agora história de outrora,

outra hora que nada,

nada mais que isso,

assim nasceu.

 

algo...mais que algo

algo a mais que isto:

o nosso diálogo,

que mesmo logo

a seguir cresce a acção

deste sorriso e pudor que logo então

faz começar

tão somente a felicitar

feliz citar-te que logo

mais que algo

nada mais que isto

amo, logo existo.

 

                                   Benjamim Granate

 


 

(92) Poema sem título

 

Poema sem título

 

 

Esse olhar de menina

Nesse corpo de mulher

Toda a ora me desatina,

Esteja eu onde estiver!

 

Essa pele tão macia,

Esses olhos a brilhar...

O teu cabelo à solta

Por onde me perco a navegar!

 

Esse olhar irreverente

Impossível de domar...

Que me deixa tão contente

Por me deixar te amar!

 

Dois corpos, um coração

Com muito amor a bater.

Quando está longe dá sensação,

Que está triste, está a sofrer...

 

Ficaremos juntos então,

Sem ti não posso viver.

Pois um corpo sem coração,

Não tem vida, só pode morrer!

 

Joana Nogueira

 


 

(93) Rosa

 

Rosa

 

Sou tão clara

Que uma gota de sangue

Rosa me faz.

E assim como a rosa, encanto.

Apesar dos aparentes espinhos.

 

Ao mundo deixo não mais que amor.

Foi assim para ela

À ela devotei as palavras mais doces

E um sussurro lívido nos dias tristes

 

À ela dediquei meu melhor poema

Rosas amarelas e uma canção

E o que fazer agora

Se dessa mesma boca ouço palavras tão rudes?

 

Tratou-me de forma tão descuidada

Como um jardineiro distraído

Que esmaga entre os dedos

Seu melhor botão.

 

Apesar de tudo, novamente passo

Rasgada por dores como fino tecido

Mágoas, pudera, não me endurecem

Sigo com meu amar assim tão instintivo.

 

Rumos nessa estrada

Suja de humanos

Mas meus trajes

Ainda estão limpos

                                       Júlia Almeida

 


 

(94) De livro aberto

 

 De livro aberto

 Com folhas desperto

 Me movo sem cansaço

 Com papel no regaço

 Me relaxo e ultrapasso

 Enquanto marco o passo

 

 Através de folhas me confesso

 Dolorosas letras com frente e verso

 Pensamentos dispersos

 Não creio no mundo sem letras

 Sem capas e frases tormentas

 Só creio em dias letrados que o são

 Vozes roucas de coração

 Pensamentos famintos

 Que embutem o ego

 Pergaminhos únicos nos quais escorrego...

 

 Porque estão lá

 Porque eu fui

 Porque me movi num mar que se dilui

 De pensamentos sem voz

 De momentos que de um mar são a foz

 Por casas construídas com vidas moldadas

 Passos bem evidentes nas folhas que são calçada

 Me mostro como desgosto

 Disfarço porque não posso medos e desejos

 Despojos atirados de penedos

 Onde ondas másculas num mar refinado

 Viram páginas para o outro lado.

 

Luís Bacalhau

 


 

(95) Essa palavra sagrada!

ESSA PALAVRA SAGRADA!

 

Amor, palavra sagrada

Dita por quem tanto AMA

Mas que coisa abençoada

Muito mais, se for...na cama.

 

Amor pode ser paixão

Mas é também amizade

Que se tem no coração

P`los que amamos de verdade.

 

O Amor de pai é segredo

O de Mãe, esconde outro encanto

O meu esconde outro medo

Pois já partiu...entretanto.

 

O Amor maior do mundo

Seria a guerra acabar

E ver em cada segundo

Só a Paz...sempre a reinar.

 

Nasce cá dentro do peito

Essa palavra tão forte

Um Amor Grande e Perfeito

Durará ...até à morte!

 

 

Autor: Renato Manuel Valadeiro

 


(96) Uma tela com sabor a saudade 

Uma tela com sabor a saudade

A aurora surgiu
De um encarnado dourado.
Com o correr das horas
O dia vestiu-se de tons plúmbeos
Desanimadores...

Ao cair da noite
decido pintar-te
numa tela só minha
para sempre admirar-te.
Pinto-te...
Retratando o Tu que vejo,
e em mim fica marcado.
Chegaste, de mãos vazias sem promessas,
De homem palhaço te vestiste,
Arrancaste gargalhadas, acompanhaste sorrisos
Chegaste, sem promessas,
De mãos vazias.

E, eu vou-te pintando dia, após dia.
Argumentista convicto,
Rebelde sem causa,
Irreverente.
Chegaste, sem promessas,
De mãos vazias.
Conversador nato,
Ouvinte atento,
Mago sedutor...
Chegaste, sem promessas,
De mãos vazias.
Só com a certeza que te vais embora....
Um destes dias.

 

Rita Sousa

 


(97) Amor

Amor

O amor são estranhos desenhos,
que uma criança dá aos pais,
Amor, são os sentimentos que um casal de idosos...
Amor...
Amor é apenas aquele friozinho na barriga,
quando um rapaz beija uma rapariga...
Amor é um simples sim...
Amar...
Um dia a lua perguntou-me o que significava...
Não sabia, e por isso fui perguntar ao sol...
Ala afirmou choroso:
-Amar é sofrer a ausência,
é viver a distancia e continuar a amar...
Amar é um segundo de ternura,
uma hora de alegria,
e uma eternidade de pensamento...
O amor é maior que eu,
é do tamanho do universo...
Com tudo aquilo voltei para perto da lua e disse-lhe:
-Amar, é apenas sofrer, lutar, sorrir raciocinar e vencer...
Ela olhou-me espantada... Mas de facto,
O que é o amor para além disso?

Pseudonimo: tatiana franco


(98) Amor

Amor!!??
Ai! Outra vez não!!!
Esse malvado
Sem coração
Querubin alado!
Tem sido a minha perdição
Dispara por todo o lado
Sem a mínima comiseração
Desta vez? não, não quero!!
Faço tudo para ele errar o alvo
Mande a febre, os tremores
Suores frios
O raio do desvarios
Escolha outros amores
Pois não me deixa em sossego
Não há aspirina que me valha
Da última vez que tal aconteceu
O malandro acertou
Perdi o ar perdi o pio
Quase que me matou
Já não comia
Só o amor via
Deixou-me obcecado
Parecia o rei pasmado.
Mas não!!! Atire o raio da seta noutra direcção,
Trespasse outro coração
Talvez  a vizinha ali do lado,
Ela é que precisa de arranjar namorado
Eu não!! Muito obrigado.

Passo


(99) Primeiro Poema do Bambú Melodioso

Primeiro Poema do Bambú Melodioso

A chuva cai pela manhã
Grossas e majestosas gotas flúem
Como pensamentos ansiosos de jovens amantes
Rendilhados de pacientes anciãos ascetas

A sabedoria flúi na água
Como a doçura do amor flúi nos gestos dos apaixonados
O perfume inebriante da languidez melancólica
Acompanha as estações
Exibindo-se como um preguiçoso pavão pavoneante
Sob o som melodioso da flauta de bambú

A chuva cai pela manhã
Produzindo desejo de um calor
Que não cessa de parar o tempo
Ritmado pelo nenúfar vagaroso
De um lago imaginário
Onde a tua imagem aparece difusa e tentadora

Há também campos floridos
E ventos divinos que os moldam a perder de vista

carlospaulopereira


(100) Se do claustro fechado das minhas mãos vazias

Se do claustro  fechado das minhas mão vazias...

Se do claustro  fechado das minhas mão vazias

brotassem árvores refloridas de espanto;

Se, dos rios de pedras sem margens,

nautas caravelas encetassem rotas de viagens

e a saliva escorresse lívida, leitosa, amamentando

a Noite que chora... na boca da tua Rosa...

E dos teus lábios gelados se soltassem

Begónias singelas, em forma de palavras ...

 

Se as Andorinhas voltassem ao pousio

do barro dos ninhos na hora ruborescida

do final de todas as tardes.  E se as traças

não devorassem os bordados dos lençóis nupciais

e os brocados de castas toalhas, nos enxovais

dos sentidos virgens por casar ... 

 

E no olival as árvores erguidas não fossem mais

que somente vultos sinistros, retorcidos, confusos,

desenhados em registos de sombras a carvão,

no pálido fundo de cal - nos muros intransponíveis

do teu escuro quintal.  Os seus frutos ovalados -

grossos bagos - , se projectassem em turbinas de luz,

alúmen da candeia, efervescente luminescência, 

nas pupilas rasgadas do teu olhar fundo de Mar  ...

 

Te digo, meu Amor ... dispensaria neste Mundo

o brilho de todas as Constelações de Estrelas.

Tu serias o meu Sol eternamente a  brilhar!

Mel de Carvalho


(101) Tons de azul...

Tons de azul…

Amar-te em tons de azul
Ouvir-te em cada silêncio
Fechar os olhos e sorrir...
A sorrir eu imagino
Danças de neblina
Fogos de sedução
Pulsações doces de ninfa adormecida...
Pulsações que me fazem enlouquecer e afogar-me em lagos de dor.
Enlouquecer em madrugadas de vazio.
Não sei onde moras
Nem onde dominas.
Sei que te amo
Em cada silêncio
Em cada sorriso
Em cada pedaço de escuridão...

Bruno dos Santos


(102) Somos dois inseparáveis

Somos dois inseparáveis

 

Numa paixão desmedida

Começámos mão na mão

E seguimos pela vida

Coração com coração.

 

Nunca pode ser esquecido

O tempo que já passou

Desde o dia em que o Cupido

Uma seta nos atirou.

 

Recordo tempos passados,

Com saudades de voltar

Àqueles beijos roubados

Que tu não me querias dar.

 

Fui ladrão, não vou negar,

No caminho dos teus passos

E foste tu a vir parar

À cadeia dos meus braços.

 

Carinhoso, eu procurei

Ser um óptimo carcereiro,

De tal forma que nem sei

Qual de nós é o prisioneiro.

 

Entre abraços e beijinhos

Sempre fomos tão amáveis

Como ternos passarinhos,

Um casal de inseparáveis.

 

                         Rama Lyon

 


(103) Bela doce adormecida

Bela doce adormecida

Oh!, palavra bela para te sonhar
Oh!, palavra doce para te beijar
Oh!, palavra adormecida para te acordar
Oh!, bela doce adormecida
Não tenho palavras,
Para sonhar de te beijar e acordar
E, nesse meu conto de fadas
Imaginar,
O quanto seria
Para sempre te amar...
 

António Blézio


(104) O que é o Amor?...

Poema: O que é o AMOR?...

 

O que é o AMOR?...

Não há poema nem arte,

Não há mar ou estandarte,

Nem mesmo a força do vento

Que descreva o sentimento

Que o AMOR prolifera!!!

É o ar da primavera?...

É magia pura

Enquanto dura?...

É o estado de graça

Que nos toma e abraça?...

É o fogo que flameja

Sempre que se deseja?...

É cair na emboscada dum sorriso,

E… viver, em pecado, no paraíso?

É levantar voo nas asas do cúpido,

E… cantar vitória após estar rendido?

 

O AMOR …

É o império de todos os nossos sentidos

Que encerra mistérios desconhecidos….

O mundo gira em seu redor

Atraído pelo seu esplendor!!!

Até Freud e Platão

Buscaram uma razão,

Mas… o AMOR nem sequer tem peso ou medida!!!

É a força que comanda a própria vida!…

Em suma, o AMOR  

É algo, ainda, maior!!!...

 

Maria Mar.

 


(105) Tempo

Tempo,

Tempo que não pára no tempo,

Eu,

Eu que não paro no tempo,

Tempo e eu,

Tempo e eu que não paramos no tempo,

Eu e o tempo,

Eu e o tempo que não paramos no tempo.

 

Tempo,

Tempo é assim,

Não para,

Só por meros segundos o tempo parece parar,

Segundos,

Segundos esses quando estou contigo,

Contigo,

Contigo o tempo pára.

 

Assim,

Assim devíamos estar sempre,

Juntos,

Juntos já que assim o tempo pára,

Para nós,

Pára nós o tempo pára.

 

Será,

Será que assim viveríamos eternamente,

Talvez,

Talvez juntos o tempo pare no tempo.

 

Autor: Luís Barros

 


(106) Cada uma das palavras que nunca me disseste...

Quero cada uma das palavras que nunca me disseste…

Quero os sorrisos fugazes que delineaste, sem os entregares…

Quero o mel da tua boca. O néctar dos teus lábios.

Quero um beijo prateado, cheio de estrelas e sonhos…

Quero adormecer na loucura dos teus olhos.

Quero navegar no teu corpo, e perder-me, eternamente, nesse teu infinito oceano de calor…

Quero escutar a tua voz na escuridão do silêncio.

Quero abrir as portas do teu coração, e explorar todos os tesouros que possuis…

Quero descobrir os códigos secretos da tua alma.

Quero beber do teu sangue.

Partilhar o mesmo cálice. A mesma cama. A mesma vida. O mesmo desejo ensurdecedor…

Quero gritar-te ao ouvido a palavra “amo-te”, e tatuar no teu corpo a textura da minha alma…

Quero viver num sonho aberto e colorido. Coroar-te princesa. E rainha.

E oferecer-te todas as pedras preciosas do mundo.

Quero conduzir-te até ao esplendor dos sentimentos,

E respirar da tua boca o brilho dos teus beijos…

 

João Costa

 


(107) Os olhos do meu Amor

Os olhos do meu Amor

Ah! se fossem meus olhos!
que sem ter mãos me tocam
E sem ter lábios me suscitam beijos
Esses olhos que me furtam o fôlego
Que dão medo n' alma
E outrora acalmam
Um coração tão só
Ah! se pudesse eu,
tocá-los com as pontas dos dedos!
E dizer-lhes que os quero meus
Esses olhos que me deixam nua
Que me fazem tua
Esses olhos que me dão adeus!
Ah! se pudesse eu,
Ser a dona deles
Se tivesse forças
De falar com Deus
Pediria a ele
Que tu fosses meu
E que eu fosse a menina
Desses olhos teus.

Ana Rosaria


(108) Momento

Momento

 

Será a vida a raiz de todos os problemas

Sobre os quais não tenho controlo?

Ou a morte que amedronta os meus esquemas

E me faz ser apenas mais um tolo?

 

Tentando não pensar no que sonho, desejo tão anti-natural

Mas continuando no entanto a querer sentir

O que só a imaginação torna real…

 

Fazendo-me esperar pelo que não há-de vir…

 

A mente, esse complexo auto-sustentável

Que nem a fantasia afecta

Puro nexo, sentido algo saudável

Do que a vida acarreta

 

Que atrapalha os sentimentos, não nos deixa ser quem somos

A falha dos pensamentos, que só nos lembra o que fomos

 

A diferença que um momento  faz, quando na incerteza nos perdemos...

A tristeza que isso nos traz e o que nela sofremos!

 

Quando ninguém compreende a nossa linguagem

E de nós só fica a imagem…

 

Frustração na cara latente,

De pessoa que a si mesma mente,

Tentando adaptar-se à realidade envolvente...

Tão triste! Pessoa que pensa mas não sente!

 

Marcos Almeida

 


(109) Paixão Proibida!

 

Paixão Proibida!
 
Estou a sofrer imenso por uma paixão proibida…
Ao vê-la meu coração
Arde de emoção
Meus olhos, meus olhos brilham
Quando, com os seus se cruzam
E, eu fico sem jeito
Sinto um enorme aperto no peito…
Eu sei que não devia!
Nem podia!
Mas, eu não consigo, não consigo não!
Deixar de sentir essa paixão
Eu sei, que não era para acontecer
Mas, foi mais forte que o meu querer
Eu sei, que não devia assim pensar
Mas, queria tanto a poder beijar
Queria tanto o calor do seu corpo sentir
E do meu lado vê-la a sorrir
Queria tanto conseguir lhe dizer
O que por ela estou a sentir e a sofrer…
É intenso o que sinto e o quanto a desejo
Sempre que a vejo
Eu sei, e a cada dia que passa, aumenta essa paixão
Que arde intensamente dentro meu coração
E me deixa a sofrer
Mas, não lhe posso dizer?
Não sei! Tenho tanto medo de a perder!...
Porquê?... Porque não a posso ter?
 
Francisco José
 

(110) Sinto...

Título: "Sinto..."

Sinto dor, sinto traição
Sinto que já não sou feliz
Sinto medo e solidão
Sinto aquilo que nunca quis.

Sinto o escuro que me cobre a vista
Sinto que o teu coração já não é meu
Sinto que outro o conquista
Sinto que o nosso amor se perdeu.

Sinto que não quero mais sentir
A dor que me invade o ser...
E não te deixa partir.

Sinto que talvez não vá aguentar
Viver até morrer… sem ter
Junto a mim o teu olhar.

por Carlos M. Barros


 

(111) Amor

 

AMOR

 

Quem de nós não já amou?

Que atire a primeira pedra aquele que nunca suspirou por alguém.

Amor bandido, louco, indecente....

Amor casto, recatado ou inocente.

 

Que diferença isso faz?

Ser feliz é o que importa.

Amor não se apreende, apenas se sente.

Aquece a alma, preenche o coração da gente.

 

O que seria, então, o amor?

É o que todos, aqui, pretendem expor.

Pra mim, é a unidade na diferença.

O se fazer presente na ausência.

 

Pra você, pode ser renúncia, abstração.

Desejo, companheirismo ou até mesmo castração.

Teria mesmo o amor uma definição?

Creio que jamais chegaremos a uma resolução!

 

Amor é isso....

Algo transcendental, mágico, original.

E eterno ou não...

Será sempre vivido de forma individual!

 

MARIA CÉSAR GALDINO

 
 

(112) Lá na esquina da casa

Lá na esquina da casa

 

Lá na esquina da casa onde nunca me deixaste entrar
Desenrola-se um romance
                                     de faca e alguidar
E há demasiados palavrões para que percebamos o que se passa.

Lá na esquina da casa onde nunca me deixaste entrar
O sangue e o sémen
                             espalhados pelo ar
Dão o mote para o começo das nossas almas próprias.

Lá na esquina da casa onde nunca me deixaste entrar
Escrevem-se poemas
                              de sonhos d'encantar
E copiámos adultices para dizermos um a outro.

Lá na esquina da casa onde nunca me deixaste entrar
Perguntaste-me para quem eram
                                               os punhais a latejar
E eu respondi-te, «para tanta gente, e gente nenhuma».

Lá na esquina da casa onde nunca me deixaste entrar
As pessoas olham atentas
                                     para o lento desmoronar
E separamo-nos, para nunca mais lá voltar.

 

Pedro Miguel Santos


 

(113) Ode Única

 

Ode Única

 

Sabe lá alguém aquilo que eu só sei

Angústia por dentro, estado de devaneio

Ser um pranto da ledice que fora

Luz que de repente virou sombra

Dia que se transformou em noite

 

Amigo da alma e do corpo amante

Fui cúmplice, sócio, parceiro teu

Fado que deixaste neste destino

Sozinho e ermo e carecido

Solto neste ai que me prende

  

Raul Guedes

 


 

(114) União

 

União
 

Percorro o teu rosto com os meus dedos.

Descubro todos os traços no escuro.

A tua forma já não tem segredos

E o sentimento é cada vez mais puro.

 

Preparo a cada dia o meu futuro

Afastando de mim todos os medos.

É contigo que nele estou seguro

Mesmo sem saber todos os enredos.

 

O teu corpo paira em minha memória

E o teu futuro será minha história

De alegrias, prazeres e paixões.

 

Não me int’ressa longe de ti a glória

Mas bem perto p’ra sempre as emoções.

Basta p’ra isso unirmos corações.

 
                                       José Cachetas

 


 
(115) Partiste, sem satisfação
 

Partiste, sem satisfação

 
 
Quando em meu leito
me deito
me deleito
e penso em ti
Não sei se é meu o defeito,
isto que sinto em mim.
É uma dor no peito,
que escurece a minh' alma,
já não sei se tem jeito,...
este princípio sem ter tido fim!
Que mal o meu ser terá feito?!
Para partires assim?!
Tento arrancar-te do meu coração,
mas, por mais que busque a calma...
Foste embora, e, ... nem uma satisfação!
 
 
 
Anabela Quental
 
 

(116) "Triefe"

"Triefe"

Foi fácil chegar aqui
P'ra um dia te encontrar
Ai tempo que já vivi
Não te posso deixar.

O dia que eu partir
Saudades vão ficar
Depois eu vou sentir
A falta de te amar...

Se olhares para trás
E me vires a sorrir
É que não sou capaz
De sem ti prosseguir.

Cada vez que te vejo
O sol canta comigo
Na doçura de um beijo
Canto agora contigo.

F.F.F.


 
(117) Solidão
 

Solidão

 
Eu detesto-te,                            Às vezes
Nunca mencionaria                    Ou diria                                               
"Amo-te",                                  Amo-te  
Sempre                                     Ou quando pudesse
Me abominaria                           Falar de ti
Pensar em ti                              Beijar-te por inteiro
Seria Ignóbil                               Desejar-te assim
Seria maravilhoso                       Enlouquecedoramente
Viver sem ti:                               Extasiante!
Dá-me alegria                             Não te ver 
Só, só de te sentir                      Dolorosamente
Sinto em mim                             Ardor e Rancor
Tomam-me completamente         Tomam conta de mim
Cólicas e náuseas                      Fortes sentimentos
Que me contundem                    Que se confundem
Provando, tornando evidente        Claramente elevando 
De um modo manifesto               o meu amor por ti!!!
"o meu grande amor por ti!"                   (...)
 
 
Alexandre Quinteiro
 
 

(118) Pra que nome?

 

Amo como todos os que se aventuram

Sofro como todos que amam
Pois o vasto campo de tal sentimento
É cercado por todos os lados
É inerte por todos os dados
Por todos os donos, usados
É como a terra que enterra e vive
 
Amo sofrer pelo plágio
Dar a mim o sentimento alheio
Roubar e doer com o outro
Na platonicidade crua
Despir os clichês que nos cobrem
Linchar a pele sedenta, nua
Me arrisco na mesmice
E encontro – com espanto – minha glória
 
Amo arder na geleira das paixões
Derretem no dia seguinte
Fundem e fodem na mesma tigela
Assim fecho os olhos e sinto-me fera
Entre a selva vermelha de fios
Entro e me vejo em alívio
Ávido vício, ácido vínculo
Dentro me perco, me ganho, te amo.
   
 
                                                                       Cadu de Oliveira.
 
 

(119) Moras num livro

Moras num livro


Moras num livro envelhecido pelo tempo
Em que encerrei o teu corpo, príncipe da fantasia
Na infância longínqua em que o destino nos sorria
E onde te fiz cativo da infinidade de um momento.

Hoje abri esse livro com perfume a nostalgia
E de novo te amei em cada promessa louca e renovada.
Estavas inteiro, esculpido nas palavras da poesia
De semblante efebo e de olhar quedo no nada.

Infante forjado numa manhã serena e fria,
Desejo seria colher-te das descoradas folhas de papel,
E levar-te a beijar o vento nas asas de um corcel

Sou a mesma criança absorta e de face vazia,
De olhos negros e fundos como o coração da noite.
Moras num livro, onde o idílico amor ainda é doce...


@utora - Júlia Adriana Moura


 

(120) Hoje olho-te

Hoje olho-te 

Hoje olho-te com a indiferença de um passado distante,
Já não sinto aquele aperto imenso dentro do peito,
Já não sinto o coração a bater descompassadamente,
Já não baixo o olhar, limito-me a seguir adiante,
Já não sinto mágoa, nem dor nem sequer despeito,
Já não sinto tristeza nem choro como antigamente.

Hoje olho-te à distância de um amor imenso
Que foi sem nunca ter sido mais que uma ilusão.

Hoje olho-te à distância e com um sorriso penso
Que és de todas a minha mais doce recordação.

Hoje olho-te à distância e não consigo evitar a saudade
Que a tua simples presença trás à minha memória.

Hoje olho-te à distância e sinto em mim essa verdade
Que me diz que és sem ter sido a minha melhor história!

 

Helena


 
(121) Sou... Ser...

Sou... Ser...

Sou essência não descoberta envolta em aparência,
Sou presença sentida na própria ausência...
Sou corpo presente,
Ser fragilizado que se sente!

Sou parte de um pensamento,
Sou escrava do meu próprio sentimento...
Sou tudo aquilo que me transcende,
Ser indefeso que se prende!

Sou luz no dia que não realça,
Sou escuridão na noite que nada alcança...
Sou parte insignificante,
Ser à deriva numa busca incessante!

Sou prisioneira do teu ser,
Sou dependente do teu querer...
Sou viciada em tudo que te envolve,
Ser perdido que por TI se move!

Sou ser que quer que queiras querer,
Sou ser que deseja que desejes desejar...
Sou ser que por ti voltou a viver,
Sou ser disponível... unicamente para TE AMAR!!!

Patrícia Pinheiro


 

(122) Margens de mim

Margens de mim

De Sol e água me dispo
Com o  manto da areia dourada me cubro.
Meu corpo é um rio onde te escondes
nas margens de mim.
Procuro-te entre lagos de verde e esperança.....
Mas o azul do  céu espelhado
não me devolve a tua imagem.
Não te encontrando
Despenho-me no Mar...Enfim!

Clara


 
(123) Magia transparente

 

Magia transparente

 

Quando pela manhã se abrem as janelas

E entra a brisa da felicidade, isto é magia.

Quando se cheira uma rosa encantada

E se sente o perfume de um beijo ardente, isto é magia.

Quando os raios escaldantes do sol

Se transformam em fonte eterna, isto é magia.

Quando se mergulha nas gotas da chuva

E navegamos pela imensidão, isto é magia.

Quando se toca na cores quentes do por do sol

E descobrimos cânticos dourados, isto é magia.

Quando se vê no reflexo do brilho do luar

Os contornos íntimos da sua beleza,

Se sente o perfume ardente do teu beijo,

O calor penetrante da tua ternura,

A imensidão absorvente do teu carinho,

Isto é AMOR.

 

Jorge Viegas

 


 

(124) Querer Bem

Querer Bem


Quisera dizer tudo o que sinto
Dizer oferecendo uma rosa
Quisera dizer tudo, mas como?
Se mil rosas ainda é pouco
Pra mostrar meu bem, quanto te amo!

Quisera dizer tudo o que sinto
Dizer oferecendo um poema
Mas poema não dizem que te venero.
Porque são as palavras tão pequenas...
Não expressam sequer quanto te quero!

Então fico absorto em teus gestos.
E digo com os olhos, que te adoro
Fico a mostrar, meu querer bem.
Já nem posso dar-te a minha vida
Porque a minha vida, já a tens.

    Didico


 
(125) Sentimento do Amor

Sentimento de Amor

Coração perdido no silêncio da voz,
no desespero da espera entrecortada;
Asa ferida no voo ingénuo e indulgente,
na incerteza de ser gente, ou até,
de ser profissional competente,
capacitada para sorrir,
mesmo quando e apenas apetece chorar...
Oprimida, alma encrostada,
em desejo escaldando o peito,
que esbraceja em turbulentas águas
e se afoga, e se esfuma, e se queima.
Sintonia de marfim, acácias e também jasmim,
e outras flores,
desiderato de amores fortes,
de paixão alucinante
e fragrâncias de saudade...
Quisera ser o meu e o teu odor,
num pleno rasgo de sabor
que um beijo um dia prometeu...

Lilás


 
(126) Amanhecendo em ti


               Amanhecendo em ti


É da tua boca o gosto das cerejas matinais
Quando os nossos lábios se descobrem ao nascer
Do sol, nas áleas quedas da cidade, ancestrais,
Onde vagueia a frutuosa brisa do prazer.

E o tempo pára sem urgência nesse instante
E sem pressa me aconchego no teu corpo
Como um navio que acosta no seu porto
E do revoltoso mar já só evoca o som distante.

Amanhece em nós a euforia dos sentidos,
Na tua pele a minha pele consumida
Estremece a cada gesto impaciente da investida.

E já despontam sonhos derramados em sorrisos
Quando a manhã acorda em tons de fogo e de doçura
Deixando nos lençóis o aroma etéreo da ternura ...


                          Ana Lee


 
(127) Je T' Aime

Nome: Free
Titulo: Je T´ Aime

Com os pés... na areia... Me distancio... de ti...
Como se num lugar... Longínquo... ao longe...
Te pudesse... Ver de muito... mais perto...
Sim... Percebo... que não me... entendas...
Mas não entendo... que não me... percebas...
Teu sorriso... escondido... tímido...
Ou envergonhado... sem dar conta... de que também...
Eu... ainda... estou aqui... encantado... por te olhar...
Teu cheiro... Que se evapora... dentro...
De meu coração...
Como nuvens... ao redor...
Eterno... será... como poesia...
Escrita... descrita...
Por humildes... dedos...
como ao dedilhar... as notas... de um piano...
Como as folhas... que não guardo... mais...
Na gaveta... Sim... a mesma gaveta... cheia... de um vazio...
Que cerrado... em teu peito... acabou... por acabar...
Nunca... se tem direito... a algo...assim...
Como almofada... que aconchega... o pensamento...
À noite... de tarde... numa manhã... pela madrugada...
Na cúpula... do alto... uma voz... que chama... por ti...
Por mim... Por vozes... que em conjunto... deixam salas...
Cheias de preces...e desejos...
Que para... muitos... cumpridos... nunca serão...
Já foram...
Posso esperar... mas não tenho tempo... Pois...
Ele vai partir... E não espera... por mim...
Como eu... posso esperar por ti...


 
(128) Graças a ti...

Graças a ti…

 …Agora posso dizer que SIM!

Que sorrio de maneira diferente

Que a vida brilha mais para mim

E me ilumina com a sua alegria permanente…

Posso dizer que fui abraçada pelo mais belo infinito céu

E levada para junto das mais cintilantes estrelas…

Agora que te tenho…

Para me protegeres…

Para comigo os bons e o maus momentos viveres

Para com um sorriso mais tarde os recordar

Caminhos cruzados,

Carinhos partilhados, sentimentos adorados…

As palavras que me dizes, o teu toque, o teu olhar…

Faz-me agora acreditar

Que sou uma pessoa mais feliz.

Que tenho um tesouro tão precioso, que tanto quero guardar…

Adorar…respeitar…amar…

Ficar mesmo eternidades a contemplar a sua beleza

E até mesmo a riqueza que trouxe para a minha vida.

Quando o abro não vejo ouro ou diamantes,

Tão pouco belas jóias ou notas grandes,

Vejo e sinto paz, brilho…

Sentimentos tão fortes e intensos

Tenho orgulho em mostrá-lo…aos sete mares ou quatro ventos,

Vou guardá-lo para sempre, dento de mim eternamente…

A ti meu tesouro eu te peço…

Que continues comigo de mão dada por este caminho mágico…

Onde o destino fez questão de nos cruzar…

Não em vão creio eu…

Por isso juntos vamos continuar!!!

  

Cátia Afonso

 


 

(129) Aparece

Aparece


Onde é que tu estás?
Porque é que não apareces
Só queria que pudesses conhecer-me, mas não me conheces
Só queria que me aliviasses este sofrimento
Tenho sempre a sensação que não aguento isto nem mais por um momento
Não aguento isto dentro de mim
Agarra-te a mim, ou põe-me um fim

Não te escondas mais por favor
Tira-me deste círculo em que nada é animador
Salva-me disto
Tira-me este quisto

Dá um rumo à minha vida
Faz dela a minha história preferida
Dá-lhe um sentido
Diz-me que sim ao ouvido

Imploro para me preencheres este vazio do meu lado esquerdo
Quero deixar de ter medo
Tremo só de pensar que esta solidão pode ser vitalícia
Estou com dificuldade em acreditar que a felicidade não é fictícia

Liberta-me disto, ou então eu desisto
Tenho força, mas a tanto não resisto
Traz-me o meu sorriso de volta...
Por favor aparece antes que todo o meu amor se transforme em revolta...


Abel Ferreira


 
(130) Amor de Noite e Dia

 

Amor de Noite e Dia

 

Meu amor, eu sou a noite,

Meu amor, tu és o dia.

Que o meu coração se afoite,

A controlar-te a rebeldia.

 

Se todas as noites pernoito,

Contigo no pensamento,

Merecia em algum momento,

O beijo, que no peito acoito.

 

Dá-me uma réstia de esperança,

Dá-me Sol na noite escura,

Furta -me desta tortura,

Faz-me sentir uma criança.

Lá em extremos opostos,

Quando a noite beija o dia,

Há uma luz fugidia,

Espalhada nos seus rostos.

 

Autor: Diaenoite

 


 

(131) Tu és...

 

Tu és...

 

Meu amor

Junto do rio, és o mar.

Junto da prata, és ouro.

Junto do demónio, és anjo.

Junto do ódio, és o amor.

Junto da tristeza, és a alegria.

Junto da lágrima, és o sorriso.

Junto do débil, és forte.

Junto da repressão, és a libertação.

 

RITA  GOMES

 
 

(132) Continua*

 

Continua*

Porque é que não consigo esquecer o passado

Porque é que não consigo esquecer, nem o teu calçado
Porque é que passados dois anos és pensamento permanente
Porque é que passados dois anos me provocas um sentimento deprimente
Porque é que no fim de pensar que tinha finalmente acabado
No fim de estar novamente apaixonado
Penso no que sentia, ou sinto por ti
E me apercebo de que agora não é nada, comparado com o que vivi
Porque é que nunca dizes nada
Porque é que nunca perguntaste por uma namorada
Porque é que tens medo de perguntar
Porque é que tens medo do meu olhar
Porque é que nunca mais apareceste por cá
Porque é que insistes em responder "sei lá"
Porque é que quando tento ligar não atendes
Porque é que dizes que estás bem, quando estás em momentos deprimentes
Porque é que me marcaste tanto
Porque é que não consigo pôr-te a um canto
Porque é que mal falas comigo
Porque é que não queres que eu vá ter contigo
Porque é que olhar para uma foto tua me provoca um sorriso tão triste
Porque é que não te queres lembrar do que sentiste
Porque é que não sorris o que já sorriste
Porque é que agora mentes sobre o que nunca mentiste
Porque é que não te esqueço
Porque é que tanta vez, é a pensar em ti que adormeço
Porque é que não te mereço
Porque é que não podemos ter um novo começo…?
 
Marta Ribeiro
 
 

(133) Play

Play


Vou tentar explicar o quanto gosto de ti
Ontem transmitiste-me tantas coisas boas quando adormeci
Não consigo imaginar a minha vida sem as tuas melodias
Agradeço-te eternamente todas as melodias
Fazes-me rir
Fazes-me destruir
Fazes-me chorar
Fazes-me cantar a dançar, enquanto te tento abraçar
Depois fazes-me parar para pensar…
É tão bom estar sozinha contigo
És mais que um amigo
Posso-te chamar nomes a provocar-te
Sei que com isto não vais dizer que estou a chatear-te
Posso-te amar, e sei que contigo posso sempre contar
Sei que vais estar sempre aí para me ouvires desabafar
És mais que um calmante
És infinitamente mais relaxante
És todos dias a minha amante
És tu que muitas vezes me fazes ver o que é realmente importante
Não consigo explicar o que sinto às vezes quando te ouço
Pões-me num estado inexplicável de alvoroço
(…)
Acompanhas-me para todo o lado
Esteja eu na rua, ou na cama deitado
És uma parte de mim
E sinto-me bem, porque sei que entre nós nunca vai haver um fim
Acredita que nunca te vou largar
Até ao fim dos meus dias, vais-me sempre acompanhar
É a ti que eu sempre vou amar
Simplesmente porque a música é algo que eu nunca hei-de deixar de gostar…

Inês


 

(134) O que sinto : é amor

   o que sinto : é amor

o que sinto quando corro para o meu cão ou acaricio o meu gato?
o que sinto quando salvo um pardal encurralado?
quando dou pão a quem está esfomeado?
ou abraço o nosso pai já velho pacato?

o que sinto quando rego aquela flor e vislumbro a sua cor?
o que sinto quando cheiro as ondas deste mar?
quando as lágrimas salgadas ferem de dor
os olhos que vêm partir, o que nunca mais vou poder contemplar?

yola


 

(135) Poema Tropical

Poema Tropical

quando o amor encontrar,
para Porto Seguro irei remar,
mas se tudo não resultar,
o mais certo é me afogar!

desde sempre quis namorar,
e o amor eterno encontrar,
mas não me contive,
e para as Maldivas lá fui morar!
 

Roberto Traguedo Eliseu


 
(136) "Sem título"

"sem titulo"

 

Se os teus olhos não fossem tão belos

e a noite não se tornasse tão clara,

andaria confuso, sem sentido algum

pelas ruas geladas dos sem rumo.

 

Noutra altura, que não esta, pássaros voavam

graciosamente sobre o teu céu de pétalas

e os Zéfiros, incansáveis, belas melodias tocavam

nas clareiras esquecidas por entre as frestas,

de onde sorrateira fugiste.

 

Todo o império do Paraíso ruiu na escuridão,

pois de lá te esgueiraste para o meu coração

e desde então, toda a poética de viver Só

deixou de existir, porque a companhia de um Anjo

em mim se fez sentir…

 

autor: ALPHA

 


 

(137) Amar com seis sentidos

 

Amar com seis sentidos

 

Respiramos o delicado perfumar,

Incenso de jasmim num quanto quente,

Duma aura mágica que se sente

E onde pudemos nos embriagar.

 

Uma lamparina de azeite a arder,

Impede a escuridão de entrar

Em almas que desejam se amar,

Em corpos anseiam se conhecer.

 

Entregamo-nos ao quente demulcir,

De chocolate com pimenta dos beijos,

Que fantasiam quiméricos mil desejos,

Todos únicos desejos ainda por vir.

 

Lençóis rubros e aveludados em cetim,

Estendem-se em convite sobre o leito.

Tocam-nos suaves num gesto perfeito,

Perfeito encanto de um romance sem fim.

 

Sons orientais nos elevam e transportam

A templos eternos perdidos no tempo,

Eternidades de um amor desatento

 - vidas esquecidas que retornam.

 

Os sentimentos das almas requintadas

Confundem-se numa luz única e pura.

Transcendemos sonhos e anseios sem cura

E vibramos em energias unificadas.

 

Vera Novo

 


 

(138) Momento de Amar

 

Momento de Amar

 
Quem dera o tempo
poder parar,
porque o tempo...
O tempo é sempre um momento
quando te estou a olhar!
Sonho contigo
ao dormir...
Acordada.
Vivo a sonhar.
O que será esse fascínio? 
Que terá esse teu olhar?
Será veneno?
Ou encanto?
Apenas sei...
Amo-te tanto.
 
Maria Fernanda Ruela
 

(139) Sonhar é viver...

Sonhar é viver…

 

Sonhar é viver...
É deixar a vida acontecer.
O importante é fazer de cada minuto uma vitória,
Uma glória, Um sentimento...
Que se conquista a todo o momento.
Sonhar também é ficar feliz
Sonhar é encantar,
É saber esperar.
Porque todos nós sonhamos!
Sonhamos com todas as coisas
Que desejamos ter e não temos!
Sonhamos com os nossos sonhos
Sonhos feitos à medida da nossa cabeça!
Sonhamos com amores
Amores feitos à medida dos nossos corações.
Não vamos deixar voar os sonhos.
Vamos segura-los com a mão,
Com Ternura, com Paixão…
Não vão eles fugir…
Mas… Se partirem, se isso acontecer,
Vamos então deixar que partam mas apenas
Com um suspiro!
Por isso não vamos deixar morrer o sonho.
Vamos lutar à nossa medida!
...e se não conseguirmos aprender a sonhar
Mesmo depois de tanto tentar
O mais importante é saber que esse dia
"um dia vai chegar"
 e que vais PODER SONHAR...!
SONHAR À TUA MEDIDA!


Autor: Cristina Videira


(140) Infinito

Infinito

Gostaria de puder voar e tudo alcançar
Cruzar o céu, desertos de terra e mar
Para que apenas com um doce gesto
Em meus braços te pudesse albergar

Fosse o horizonte o meu alento,
E a sua linha apenas fruto da ilusão
Tão inexistente seria o meu tormento
Se nesse abraço estivesse o teu coração

E esta ânsia que me percorre
Na tua longa distância de devastação
Nessa linha em que o tempo corre

Nada passa para além da solidão.
Será este desejo apenas fantasia,
Ou ter-te-ei eu novamente um dia?


Arine Malheiro


 

(141) Te quero...

Te quero...
 

"E quando o corpo pede um pouco mais de calma” e a minha razão implora por mais esta calma, mas tenho sentido uma mistura tão gostosa de emoção, desejos, vontades, medos como mantê-los em mistério é uma questão difícil!!!!to com vontade de gritar que eu te quero, vontade de te ter em meus braços, um desejo inaceitável, inexplicável de me prender em teu corpo, num abraço apertado e apaixonante, beijar teus lábios como jamais beijei com a mais intima vontade de mergulhar fundo nas entranhas dos teus sentimentos.
Gostaria agora de estar contigo, agarrada a teu corpo sentindo o leve toque de suas mãos, apreciando teus beijos, me apertando em teus braços, sentindo teu cheiro, tua respiração que envolve minha nuca, deslizam por meu pescoço, sobem ao meu queixo, aproxima-se do cantinho da orelha e murmura palavras que só eu sei!!!Só eu e você amor e ninguém mais!!!!
Preciso me sentir desejada, preciso que me olhe daquele jeito que sempre quer e pode ter mais. Necessito que acalme essa desaceleração irresistível do meu coração ou melhor necessito que o deixe mais desacelerado para poder cada vez mais e mais me proporcionar mais momentos maravilhosos!!! Quero te ter ao meu lado não apenas para aproveitar da paixão, mas para sentir que esta comigo, que posso contar contigo, que posso adormecer em teus braços confiante que meu sonho será bom, ter você para me escutar e ter a mim para te ouvir sempre...preciso te contar como vai meus dias!!! Falar dos meus medos e desejos!!! Quero deixar você não apenas entrar mais fundo em minha vida mais principalmente em meu coração tão amargurado, traumatizado e carente!!! Quero não ter medo nem vergonha de amar, quero não ter receio nem pudor em me entregar! Quero ou melhor te quero!!!!
Preciso sentir tuas mãos acariciando meus cabelos ate me fazer dormir e num sono  confortável por te ter ao meu lado, sentir sua mão cada vez mais deslizando no meu corpo, mordendo meus lábios!!!sentindo profundamente o saber delicioso de um beijo apaixonado, quente, caliente!!! Porque você não vem meu bem larga tudo e vamos fugir...agora...pra um lugar só nosso!!! Nosso mundo....nosso amor...te quero sempre em minha vida...

By Jak


(142) História de vida (A Esperança e o Amor)

 

História de vida (A Esperança e o Amor)

 

O coração daquela pobre mãe deixou de bater...

Apagou-se ao dar à luz, por ela, nada havia a fazer!!!

Mas... e por aquelas crianças recém-nascidas,

Filhas de ninguém, sós e desprotegidas?...

 

Quis o destino traze-las a este mundo

Pelas mãos de um ser infecundo

Que abraçou o milagre da vida

Sem qualquer temor ou dúvida!

  

A médica.... adoptou as crianças...

À menina chamou "Esperança",

E ao menino chamou "Amor".

 

Ambas cresceram, lado a lado,

Unidas pelo sangue ...pelo passado,

Unidas na alegria e na dor!!!!

 

Titta Butterfly

 


(143) Do Amor

Só me sinto
um ser completo
quando estou
perto de você.

Quando digo
que te amo e
você me chama
de meu amor.

E se estou sozinho,
sinto sua presença,
nossas almas formam
um corpo só.

Somos metades
indivisíveis, de
uma luz verdadeira,
um único ser.

A fé maior desta
vida tão passageira,
princípio e o fim
da razão de viver.


DO AMOR

Sanio Morgado


 

(144) Deixa o sol saber em seu corpo

deixa o sol saber em seu corpo
nos limites da pele
um carinho

atalho até sua boca outro beijo
sabe-se da vontade
um corte

anda-se nos astros por destino
o que é recusado
um desejo

então falar com a leveza da luz
com a leveza da alma
o amor


Clarice


(145) Amor

 

AMOR

 

Abro um pouco o A,

beijo com vontade o M,

contorno bem o O,

e faço cócegas ao R...

 

assim mostro o que sinto!

 

Se te soletrar, direi:

 

A de Amor,

M de Muito amor,

O de Obviamente amor

R de Repito amor.

 

Se te desenhar será com:

 

um redondo Arco

feito à Mão livre

na mais linda Obra

que me sai sem Rascunho.

 

E pronto...

sais sempre tu,

sai sempre AMOR!

 

                                            MJMS

 


(146) Não foi à primeira

Não foi à primeira

Não foi à primeira que descobri
Que o que sinto por ti
É algo fora do normal
Não à segunda
Nem à terceira vez
Que senti o fogo ardente
Que queima-me por fora e por dentro
....a chama latente
Que incendeia o meu centro
Mas sim da última vez que te vi
E senti que um minuto era uma eternidade
Quando longe de ti
Minha celebridade
....sei lá se mereço sofrer
....sei lá se cometi algum pecado numa vida anterior
E dele não me arrependi
Mas sei que… estou prestes a pecar de novo
Porque eu não quero que esta chama
Que vem de dentro do meu corpo
Torne-se apenas numa luz incandescente
Que despeja velhas lembranças
Que torne-se apenas numa nascente
Ressuscitando as minhas esperanças,
Esperanças essas detentoras de um forte desejo
Que desde que apaixonei-me por ti
Guardá-las tem-se tornado um sacrilégio

Autor:  Paulo Menezes


(147) O tempo

O tempo

O tempo passou e não parou
Mas eu ainda continuo aqui
Como aquela que um dia chorou
Por amar alguém, por amar a ti…
O tempo passou, rápido, voou
E acabei por sozinha me perder
Num tempo que passou e não parou
Enquanto esperava por te ter…
O tempo, esse maldito, não parou
Quando te sentia de novo em mim
Num momento que um dia chegou
E voou veloz e chegou ao fim…
O tempo passou e não parou
E correu mais que o vento por nós
E o tiquetaque nem sequer cessou
Só acelerou cada vez mais veloz…
O tempo não para quando queremos

Acelera, mais e mais, acelera e corre
E por mais que nós até tentemos
O tempo não para e sempre foge…

Cátia Azulinha Silva


(148) Um Mundo de Sonho/Um Sonho de Mundo

 

Um Mundo de Sonho/Um Sonho de Mundo


Deslizo pelas rugas dos lençóis,

O lume do dia
Vem brincar sobre o teu corpo.
Olho-te…Espero-te…
Saímos,
Vulgos exploradores,
Com vontade de descobrir recantos
Torná-los nossos.
Naquela loucura infantil
Característica dos amantes.
Conduzida por Ti, sorvo ruelas
Vislumbro varandins a dourar ao sol
Dirigimo-nos ao mar
Sabes sempre,
Adivinhas sempre, onde quero estar!
Sol, areia e salpicos salgados.
Envolto pelas lágrimas marinhas,
Reflectes-te em mil pedaços,
Cada qual com o seu brilho,
A sua cor…
As minhas mãos procuram as tuas,
Querem entrelaçá-las, guardá-las…
Hoje, tenho as tuas gargalhadas,
Diluídas na brisa fresca que teima em brincar com os meus cabelos.
Os raios de sol vêm,
Suavemente,
Despedir-se de nós….
Deslizo pelas rugas dos lençóis
E, acordo d’um dia perfeito
No sonho de uma noite.

Ricky


(149) O amor é o fim

O amor é o fim
O amor é a estrada
O amor é o inicio da caminhada
O amor é o que une
O amor é o que ata
O amor o medo despedaça
O amor é chama
O amor é a brasa
O amor é viajante que retorna a casa
O amor liberta
O amor não passa
O amor é um estado de graça
O amor é consciência
O amor é real
O amor é a ausência do mal
O amor é tudo aquilo que somos
Quando os nossos passos são fieis aos nossos sonhos.

Anuska


(150) Caí na desgraça

                             Caí na desgraça

                  Se um dia saí de dentro de mim,
                  Se um dia vivi tudo até ao fim.
                  Nesse dia gritei pela vida passada,
                  Nesse dia chorei pela outra estrada.
                  Nesse dia olhei e já não vi nada.

                  Então no deserto onde eu estava,
                  Descobri de certo o que se passava.
                  O fim era agora já estava aqui.
                  Já, sem mais demora o epílogo li,
                  E vi-te senhora...tão longe daqui.

                  Se um dia voltar eu hei-de querer,
                  Eu hei-de abraçar todo o viver.
                  Mas por enquanto mais nada se passa,
                  Estás longe e portanto caí na desgraça,
                  De te amar tanto...que nunca mais passa.


por a-TERCEIRA-ndo


(151) Sentei-me à beira-mar

 

Sentei-me à beira-mar

O sol batia-me no rosto.

O vento fazia-me arrepiar…

Olhei em teus olhos

Vi-me reflectida em ti.

Suavemente tocaste na minha mão

Estremeci… Corei... Sorri…

Ninguém controlava aquela situação

Ninguém sabia onde ia parar…

Um leve suspiro…

Uma momentânea troca de um olhar…

E tanto que eu te queria dizer…

Dei por mim na tua boca

Um toque… um beijo…

Nada mais ficaria por dizer

Sentias o meu desejo

Era mais do que podias saber…

Queria-te mais que tudo…

E ali ficamos… olhamos o horizonte

Abraçados… longe do mundo

Entre beijos e olhares e carinhos

E palavras sinceras que saíam…

 

É assim que me fazes sentir

É assim que quero estar

Junto a ti… sentir-te… beijar-te…

Estarei a sonhar? Sim, estou…

Mas estamos quase a acordar

E um no outro vamo-nos saciar…

  

Ass: Vânia

 


 

(152) Cinzas

 

Cinzas

 

O brilho, orla metálica

deslizando sobre

as falanges desertas

simples arremesso

entre o sentido

e a palpitação

fluindo sob o adarve da aorta

e a masmorra do ventrículo

como se a noite depusesse

a pétala, no cinzeiro lírico do amor

e aguardasse uma só face

estendida na promessa,

oxigenando o rosto do beijo,

sobre o jorro das cinzas agasalhadas

numa só face…

a tua face,

desenleando ternos olhares nas mãos

que te ampararão.

 

 

Pseudónimo: Álvaro Mar

 




     

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