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***Poesia em Rede -
Tema Livre*** (1) "O Primeiro Dia de Inverno"
De noites e vidas já deixadas Afogo-me nas glórias Destas grandes fachadas...
Esperançoso que venha, e leve No seu toque, tão frio e rude Que é sempre tão breve Que não falha, e me ilude...
Vem o céu, cinza e perturbado Com desdém dos orgulhosos Lavar as ruas do pecado Lavar até os tortuosos?
E esperam que eu, deitado Neste chão de mármore vivo Encontre o dito ditado Por qual ando tão obsessivo?
No entanto, eu floresço Mil vezes de seguida, Noutro corpo grotesco Para outra vida proibida...Leonardo Faria (pseudónimo) (2) Sem seu sol
SEM SEU SOL - Ieda de Paula
Sem seu sol Sou silêncio Sem seu sol Sou sombra
Sem seu sol Sou saudade Sem seu sol Sou sem sabor
Sem seu sol Sou sandice Sem seu sol Sou sacrifício
Sem seu sol Sou sem saída Sem seu sol Sou sacudida
Sem solo Sem saga Só saldo Só sina Sou sua Sou sã (3) Olha dentro do teu coração
Olha dentro do teu coração
Olha nos meus olhos e verás o que significas para mim Procura no teu coração, procura na tua alma
Não me digas mas só tu podes dizer não vale a pena morrer quando se ama não vale a pena
Olha dentro de seu coração tu irás me encontrar eu não estou escondido eu estou aqui para ti so para ti
Não há amor, como o teu amor E ninguem me dara mais amor que tu em lugar nenhum, Tu estas sempre no meu caminho esteja onde estiver pense no que pensar
Olha dentro do teu coração,amor eu estou lá
CSANTOS (4) Ignoro
Ignoro
Sou um ignorante. (5) Solidão
Solidão
(Elenir Duarte Dias, 06/02/2009) Corro pela estrada Carros desviam-se de mim, Estou só. Derrepente ali (6) O Sono de Endimião
O Sono de Endimião
Ele abraça o absoluto para não deixar que um rasgo de consciência Abra caminho para o início da decadência e que esta traga a apatia De toda um corpo nascido para ser amado por toda a matéria Tanto pela singelidade e ingenuidade dos que compactuam com a miséria Que vivem sob o escudo e refúgio da infelicidade como condição De uma vida servida sob a égide da mesurice, onde o fim representa O inicio de um novo nada, o vácuo que eles engrandecem com a abnegação Estando o Tártaro sempre presente para realçar tudo o que a alma apoquenta
Como por aqueles que abraçam a eternidade e dela baseiam a sua existência Vivendo pela regência do extremo ao invés da tirania da abstinência E ainda que já possuindo a eternidade como garantida, a cultivam Para que esta assuma a sua forma, e quando disso os privam O opróbrio justifica e a ira torna-se cúmplice para toda a impunidade Ante sentenças e juízos que mantenham a ascese da hierarquia duradoura E só eles podem inquisir, para os outros apenas resta a indolência da sobriedade Não como causa mas como meio para que a sua existência seja imorredoura
A Lua traz sempre consigo a bênção resguardada pelo negrume da noite E ela encontra nele um conforto para conflagrar o seu voraz apetite E aceitar as coisas como elas são é resignar-se ao conformismo da limitação A beleza apenas pode ser aceite nunca tomada, com o frenesim da adoração Não há a ameaça da entrega, é tudo apenas pelo capricho, pelo prazer É tudo uma ilusão mas ainda assim ensandecida está presente a inveja Selene sacia os seus ímpetos apenas com o toque para o seu ego satisfazer Os melindres da paixão fazem tudo ainda que apenas um corpo ela veja
Gustavo Ferreira (7) Canção habanera
Canção habanera
Um hímen arremessado para o nada uma cratera fictícia dissimula há um burro no cio ali no cerro que mostra seus dotes ao futuro sogro e o sogro ri sonha vilmente um hímen arremessado para o lixo a cavalo desde uma altura com cara mestiça com muitas caras quase todas com pêlos e um sorriso vertical tão parecido à Revolução cubana Que me assusta.
Marcelo Faure (8) Sonho
Sonho (9) "I don't know what tomorrow will bring"
"I don't know what tomorrow will bring"Não sei o que o meu amanhã trará (10) MÚSICA
MÚSICA
A música é a forma harmônica do som que nos encanta para nos sensibilizar e nos conduzir para juntos viajarmos nas suas mensagens e nos completar.
Fazendo sinfonias para que fiquemos encantados e quase que hipnotizados com sua maneira sensível de cativar nas cordas do violão e dos pianos. Uma bela viagem a nos transportar.
Ficamos em transe com os andamentos e seguindo cada compasso da canção, obedecendo ao ritmo das suas notas dos naipes orquestrais de transição.
Num acorde de escalas bem dispostas ela busca tonalidades graves ou agudas que a melodia desperta com os metais, e nos deixa mais emotivos, inspirados mais amorosos e muito mais musicais.
Autor: Jorge Barbosa
(11) EU/TU…TU/EU
EU/TU…TU/EU
É inevitável olhar para trás E não te ver ao meu lado… E hoje sou quem sou Porque te conheci… Junto percorre-mos caminhos errados E sem dar conta encontrámos o certo. Contigo… Chorei e ri, Gritei e calei, Errei e aprendi, Repreendi e tolerei. Agora sem ti conheci a saudade… Eu sou eu porque estavas presente, Trago parte de ti em mim. A ti Amigo a minha vida dedico, - e em nós me orgulho - Porque sem ti não teria sido a mesma.
L. Carreira (12) Outro ensaio sobre a cegueira
Outro ensaio sobre a cegueira
Se os teus olhos não se cruzam com os meus E não ouves o toque do coração, Nem te queixas das razões dos fados teus É por seres especial, e eu já não.
Se na estrada onde seguimos lado a lado Me desvio e me chamas à razão, Continuo, mas no teu ombro encostado Só por seres especial, e eu já não.
Qual de nós terá mais sorte no futuro, Serei eu por me julgar um ser normal Serás tu que derrubaste mais um muro Apesar de regressares em cada vez, Ao lugar inicial.
Qual de nós terá mais razões p’ra sorrir, Serás tu porque o teu choro já secou Serei eu pelo que ainda há-de vir O que importa é o que a ternura fez, Em iguais nos transformou.
Vitor Araújo (13) Rosas
Rosas
As rosas que te ofereci, Naquele dia, No chão espalhadas, hoje como nunca, jazem.
De outrora, toda a beleza, Murchou: O efémero é feito de assim ser.
Importo-te, a ti, não mais Que momento Definido (porque o fazes) como vida, ou algo mais.
Ainda assim, na maior eternidade Que o eterno, As rosas que não se são já no chão jazem
E o assim ser sempre foi, Intrinsecamente, No, que o não era, início.
Assim somos nós: Flores.
Leonardo Bonfim (14) Pesadelo da realidade
Pesadelo da realidade
Nunca pensei acordar de um pesadelo, mas ao ver a realidade preferi dormir...! nunca pensei que com tanto alento, tanto pranto tão enfermo... Esperasse com calma o fim.
Será que com tanta calma, tanta vontade de desistir me fizesse lutar? Acreditar, quem sabe imaginar um novo rumo, certo ou incerto presumo! Mas seria revoltado enfim...
Tenho raiva nas veias, isso é certo... É o que me faz querer lutar. Não percebo o que quero, nem no que quero acreditar...!
Na verdade, sou criança, nada me impede de o ser... Mereço a felicidade, como qualquer ser humano, fragil no entanto...
Como alguém longe de mim.
Amante de borboletas (15) A verdade é que estou sozinha
A verdade é que estou sozinha E se sou como sou é por assim deve ser, E quando olho para trás não me vejo a mim Não me reconheço em mim própria, Os meus pensamentos e aspirações São meus, mas ao mesmo tempo não são Todo o meu ser é outro, todas as minhas recordações São memórias da pessoa que não sou.
Na verdade, não posso e não sou real Sou uma projecção dos meus medos e das minhas vontades, Todas as minhas acções reflectem a pessoa que não sou Mas não serei eu aquilo em que me tornei? Não comando a minha existência, num voto de fé no destino Deposito todas as minhas esperanças em mim.
Alice Fernandes (16) "Gente Como Eu"
"Gente Como Eu"
Gente
como eu, eis o momento!
Ângelo P. (17) Aniversário
Aniversário Cássio Cundari (18) MENTI
MENTI
A minha vida continua... sorrindo para quem com sorrisos leves se insinua e me quer bem. Abraçando braços que me abraçam, beijando bocas que me beijam... ocultando estes sentimentos que não passam, relembrando que te amam e desejam. O meu coração só se encontrou no teu, o meu amor está todo em ti. Sei que imensas vezes te disse que morreu, pois é amor, menti, menti!!!
A.Viana (19) Mergulhas na cidade de cabeça...
Mergulhas na cidade de cabeça... (20) E quando submetido a tal esforço,
E quando submetido a tal esforço, Eis que me prende o pensar. Sou então convertido a louco Tudo o que sei agora é oco E o que estava deixa de estar.
Então repouso. Lembro-me do meu início e saio. Retomo àquilo que sou e observo. Refresco-me nesta brisa de Maio Que abana o aconchegado verde tornado Escuro pela noite; e dela sou servo
Estou de novo novo. Já me surge o pensamento empurrado Pelas ideias múltiplas e lineares. Todo o eu está bem e aconchegado; Estou feliz, Natureza, enquanto ficares…
João Batista (21) Ela
Ela
Fraca de qualidade é a história Ou ao autor lhe parece. Pede à amada o que merece Indiferença, desdém ou glória.
Autor que não é único Mas de único ser, Amo-te e apaixonado fico Por comigo à noite estares a ler.
Dá-lhe o que é e o que tem. Se a faz sorrir, sorri também. Somos o casal aqui ao pé, Feliz a torna, feliz ele é.
Pedro Fonseca (22) O Café
O Café
Vim para o café, E pelos vidros observo Pessoas apressadas a pé. Triste vida esta, Que faz do ser humano o seu servo. E esperava eu que a vida fosse uma festa, Uma festa de alegria e felicidade, De amor e carinho, Animada. Mas, nesta cidade, Tudo passa, nada fica. Lisboa, sempre apressada.
Manuel Rosa
(23) Saudade
Saudade
// Luzia //
A brisa do outono invade minha alma. Folhas em palha colorem o caminho. Vejo-me andando ao pôr da-esperança, no vento do norte, em redemoinho.
Na face, brotam orvalhos noturnos. Riscam lembranças de muitos momentos. Meus ombros vergam nas curvas do dia, cedendo ao fardo desse lamento.
Eu peregrino nas sombras desertas, por um oásis no meio do nada. E à flor da pele, minhas chagas abertas.
Oh, saudade que no tempo é pirata, não vês que sangro à luz da poesia? Devolva-me a Lua em tom de prata! (24) novo, novissímo, piano, pianissímo
novo, novissímo, piano,
pianissímo quando eu morrer, no dia
não penses na companhia que te dava, que te fazia pensa apenas no quanto o que em vida morreu chora depois, que por enquanto (choro eu.) José Correia (25) sentir
Sentir
Sinto-me perdido, Como um barco à deriva no mar, Caminhando no desconhecido, Apenas com a luz do luar.
Sinto saudades da minha terra, Daquele sol brilhante, De ver aquela serra, Percorrendo-a em sonhos, por um instante.
Vejo-a na minha imaginação, Sentindo de novo a calma, que me enche o coração, E apazigua a alma!
Marcelo Vieira (26) Pedras com Alma – Homenagem à Sé
Pedras com Alma – Homenagem à Sé
Da pedreira soltas à custa do sol, da forma e do braço, são belezas raras, saídas de corpos, suor e cansaço. Passaram pela escola, moldadas pelo mestre, tornadas rainhas pararam no bairro, daquela Sé velha, de ruas fininhas. e, de lá do alto, passam-lhes as vidas com risos e ais, os homens sem sorte, bêbados de dor sem rumo, sem cais. As mulheres da vida, com mitos de amor comprado à socapa, e os ciúmes loucos, que desaparecem na ponta da faca. As rusgas singelas, desse S. João eterno em mim, procissões e missas, sinos a rebate pelo fogo sem fim. Vendas, falatórios, rostos encantados sonhos de pobreza, crianças sem roupa, sujas de pancada sem nada na mesa. E em dias de chuva, molhando em carícia devolvendo a calma, olho para cima e sei que são elas as pedras com alma.
Lucinda Brochado (27) Espelho D' água
Espelho D’água
Tracejei nos espelhos profundos dos rios a face da pessoa amada. Com os chuviscos das neblinas nevoentas fiz seus cabelos e sua boca sedenta. Com as gotas das minhas lágrimas de saudades desenhei seu olhar, mas ele não me via. Todavia, no seu rosto, lágrima de saudade também escorria. E sua face no espelho d’água refletia a serenidade de quem já se despedia. Seu olhar ausente timidamente encontra o meu. Arrisquei ainda nas linhas tracejadas por um pouco de sua alma. De repente, a sua alma, por entre meus dedos escorreu. Em vão tentei contê-la. Tarde demais... Afogara-se em águas de profunda dor.
Saulo Daniel dos Anjos Leite. (28) O SONETO QUE SE APAIXONOU POR UMA
GUITARRA PORTUGUESA
Nasceu-me, hoje, um soneto descuidado, Fazendo ouvidos moucos à razão, E todos vão dizer que veio em vão Pois jamais gostará do nosso Fado…
Mas o que aconteceu foi que, o estouvado, Não sabendo fingir, nem dizer “não”, Mal ouve os mil acordes da canção Corre a abraçar-se a ela, alvoroçado…
Coitado do soneto… apaixonou-se Por um fado qualquer que então passava Nos lábios de um fadista, nas vielas,
E nem sabe dizer quem foi que o trouxe, Que guitarra, trinando, assim chamava, Que estranhas vibrações foram aquelas…
Maria João Brito de Sousa
– 21.01.2011 – 19.01h
(29) Não é presente é passado
Nome: Tiago Perdigão
Título: Não é presente é passado
Isto é meu mas no passado era teu armado em Romeu não sei o que é que me deu. Foi por causa da pouca sorte foi como se fosse morte e não o farei embora digas que tenho que seguir ao Norte. Eu sei, tu sabes, todos nós sabemos não é futuro é passado, é tudo o que já não temos. Eu dei, tu deste até mais do que tiveste. Dói-me tanto faz tão falta o teu canto, todos os dias, penso nisto constantemente tão dolorosamente e arduamente porque tanto tempo depois, isso ainda me corrói a mente. É triste mas esta dor ainda existe e persiste, já nem ao espelho me consigo olhar quero amar fazer com que possas voltar até à próxima até um dia, espero até lá te voltar a encontrar. (30) Conto os minutos
Conto os minutos
Conto os minutos num relógio onde os ponteiros parecem não fazer qualquer movimento que seja, por alguma razão o tempo parece não passar e nada faz diminuir esta sensação de angústia e vazio, busco em vão os seus movimentos certeiros e aos meus olhos não há diferença que se veja, por alguma razão sinto-me presa, sem respirar, chorando por dentro até mesmo quando por fora rio.
Conto os minutos que se arrastam penosamente como se não quisessem que o tempo existisse, por alguma razão sito-me quase a adormecer e não consigo avançar e mudar o meu destino, busco uma forma de me libertar desta corrente e entrar num mundo onde de facto eu existisse, por alguma razão sinto que me estou a perder e começo a sentir-me um simples clandestino...
Hisalena (31) Perdi-te
Perdi-te
Perdi-te como alguém que perde a sombra, numa tarde de verão. Busquei-te em mil sombras do entardecer, e encontrei-te na madrugada do meu viver. Busquei-te em sábios e feiticeiros, em bruxas e conselheiros. Mas perdi-te? Sim, mesmo ali ao dobrar da esquina do meu coração. Saíste sem abrir a porta, na qual entraste sem a fechar. Nas trevas sinto o teu cheiro e sigo-te. Mas não te encontro. Perdi-te? O vento trás-me o teu pensamento, e a chuva as tuas lágrimas que nunca chegaram a cair. O frio trás-me o calor do teu corpo que nunca se aqueceu. Agora sim, sei que te perdi.
Eunice Santos. (32) POBRES MENDIGOS
POBRES MENDIGOS
Vou vivendo dormindo ao frio, e à chuva Na companhia de outros irmãos mendigos Na cidade, na estrada ou numa curva Somos vidas de passados incompreendidos
O céu de dia, ou de noite, é nosso telheiro Andamos rotos, descalços, e em desalinho Temos a doença e fome, como companheiro Esperando p'la morte que chega de mansinho
Andamos por aí, sem enganos Procurando a beata deitada fora Contemplamos a natureza que amamos Vivendo connosco a toda a hora
Cruzamos gentes, que não nos olha E p'ra elas, nem sequer falamos Somos um livro que não se desfolha Guardado em baús há muitos anos
Não passamos de uns pobres mendigos Em busca de amor, por aqui, e ali Temos a dor que dói, entre amigos E só distribuímos o bem, vagueando por aí
Os degraus das Igrejas são o nosso trono Oferece-nos as noites gélidas como retiro Deitados em velhos cartões, fazemos o sono Até que Deus um dia, pare nosso suspiro
De: fernando ramos (33) dar-te-ia apenas um reflexo deste mundo
em que te penso
dar-te-ia apenas um reflexo deste mundo em que te penso para que pudesses dar um novo significado à primavera ao reflorescer das gerberas aos amigos que amas devagar
para que o poema que trazes guardado no coração do silêncio se revele como os débitos como o ângulo errado da geometria como a pulga de areia que traz a saudade do verão aos dedos
e não
não é nunca um sonho louco o sonho mais louco que há-de haver ou mais complicado de se dizer ou de se orar ou de se escrever porque o homem sem a loucura que o é não é senão o que pensa ser
por isso
dar-te-ia apenas o perfume a melodia o guache exacto da escola primária e o rabisco a carvão (6b) deste encanto desta irrepreensível natureza deste poema que trago ao peito ao word ao blog ao facebook ao livro
para que pudesses dar um novo significado à vida
sorrir mais
brincar mais
amar (ainda) mais
João Pedro Manso (34) Portugal
Oh Afonso que foste tu criar, (35) No meu mundo
No meu mundo
No meu mundo existe sol E também existe mar, E dele avista-se um farol Que serve para me avisar. No meu mundo existe amor E muita solidariedade Mas também há furor E muita crueldade. No meu mundo... No meu mundo... Gostava que fosse diferente, Que houvesse mais Alegria e menos tristeza Que houvesse paz, E muita beleza Por todo o mundo.
Patrícia Caldeira (36) Um dia
Um dia
Um dia cheguei a casa triste. Para completar a vida que há em mim.
Aurélie Sobreira dos Ramos (37) Dedilhados de memórias
Dedilhados de memórias
Como é bom Sonhar ao som da guitarra, De suave e calmo tom Que me desperta e amarra
Ao conforto relaxante, Da cadeira da Sabedoria! Tu sim, serias minha amante Na cama, no chão, no céu todo o dia
Perdura a suavidade da guitarra!
Vibram as cordas tocadas Na sua ordem doce e musical. Recordo aventuras e mulheres amadas Sons, gostos, texturas d´índole divinal
Toca guitarra minha vida Sou eu o guitarrista! Incansável, descobridor, curioso, malabarista Que soou as notas da pauta não lida!
Miguel Paiva (38) Arco-íris perdido
Arco-íris perdido (39) Impossível
Impossível
Se me negasse, Amor, ao teu amor Era abdicar de ter aquela dor Que gosto de sentir no coração; Era deixar de ter os teus abraços, Sentir os olhos rasos da água e baços, Passar a ter momentos de aflição; Era deixar de ter loucos desejos... Perder os teus carinhos... os teus beijos, - De que sou obcecado e dependente; - Era apagar o brilho dos meus olhos... Deixar no coração vingar abrolhos... Ficar numa ignorância permanente; Era deixar de querer ter-te comigo... Negar este meu peito ao teu abrigo... Deixar uma cratera imensa aberta; Era não me dar conta da demora... Quando marco um encontro sem ter hora, Na ânsia de te ver à hora certa; Era perder o Sol de Primavera... O beijo que tens sempre à minha espera... E o teu sorriso doce de criança; Era sentir meu próprio coração, Naufragar, sem possível salvação, Num mar de tempestade sem bonança; Era deixar meu cérebro parar... Esquecer de conjugar o verbo amar, - Que contigo aprendi tão docemente… - E ter, de tanta dor, a sensação De não sentir bater o coração, E que perdi a vida de repente!
Aurélio Barata Vivas (40) Sopro do Horizonte
Sopro do Horizonte
Eram pelas ruas caiadas, perdidas, despedaçadas, Que meus pés traçavam doces prantos à vida. Oh! Bendita és, sentida, raiada…perdida!
Por essas mesmas ruas, descalças, Raiava a aurora, se abria sobre o momento Em que a felicidade querida, voltava E desejava eu que já fosse o seu tempo!
De que seriam meus pés, tão maltratados? Violinos se calam perante meu pranto, Meu olhos se fecham sobre as malditas horas. Fosse eu forte, conseguisse eu seguir em frente. Mas as malditas dores floriam, descompassadas… E os suspiros se tornavam graves, duros, incansáveis! Oxalá fosse outra a hora, mas não era… Não o era, infelizmente.
Sofia Duarte
(41) Sonho invisual
Sonho invisual
Numa densa escuridão Que leva a alma a vaguear Sinto a leve sensação, De não estar a sonhar.
Folheando a vida Página a página sempre em vão, Numa história não lida Numa fantasia e eterna ilusão.
Vou descobrir a verdade Nas entrelinhas do meu ser, Vou emergir da soledade Da angústia de nada ver.
Destemido, vou cavalgando…
No dorso de um meigo vento Num doce e belo momento Num encantado sonho celestial…
Vou, desbravando estradas Empunhando espadas Numa batalha desigual.
Sou, um invisual sonhando.
Alma Lusitana (42) OLHOS RESGUARDADOS
OLHOS RESGUARDADOS
Por trás dos óculos escuros, sou semionipresente e um pouco inimputável. Posso chorar pelas ruas e olhar as pernas tuas e você não vai perceber. Não, ninguém vai perceber.
Por trás dos óculos escuros, tudo é mais negro, eu admito, e a vida é menos colorida. Mas é menos dolorida, muito menos invasiva. A luz solar não me cega se a encaro.
Por trás dos óculos escuros, sou meio homem, meio deus, adquiro onisciência. Analiso expressões faciais, avalio posturas corporais: de invadido a invasor, de agredido a agressor.
Por trás dos óculos escuros, e somente aí, sou quem sou.
(Marcelo Maio Coelho) (43) Eterna busca
Eterna busca
Diana, caçando se caçava.
Jonathan Gonçalves (44) BRINCANDO COM O PORTUGUÊS, A LÍNGUA I
BRINCANDO COM O PORTUGUÊS, A LÍNGUA I
No balé das palavras, orações: Simples, compostas, com ou sem sujeito. Sinônimos de tantas emoções Batimento forte dentro do peito.
Cada linha da vida assim descrita Na palma da mão, bendita e desdita: Sensações, quimeras verbalizadas; Paixões, em vários tempos, conjugadas.
Dá pra brincar, tamanha a sua destreza, Co’a minha, a nossa língua portuguesa, Juntando tais vogais e consoantes.
Em frases corretas ou destoantes, Nada mais será como já foi antes: Tremas, acentuações equidistantes.
areg (45) O Enigma da Vida
O Enigma da Vida
Com o desbravar do Universo A vida ressurgiu Como estados formidáveis Em harmonia com campos imagináveis Coisas materiais existem Mas nada representam São apenas estados da matéria Em harmonia com nossa própria consciência Entender em minha concepção É mais do que assimilar idéias É compreender os mais profundos estados de interação Que interagem com nossa própria existência Compreender é como vivenciar Aquilo que mais queremos Querer em meu pensar É se situar além do imaginar Ao vivenciar o Universo Busco respostas para o meu passado E mesmo quando não as consigo Ainda tenho esperança de concebê-las Finalmente busco algo Que não julgo ser o mais palpável Pois se o seu acesso fosse fácil Perderia o sentido de desbravá-lo A vida é como um enigma Um enigma que o Universo nos impõe E como o Universo há de ser dinâmico Temos de flutuar nos horizontes de nossa consciência
Paulo Tasso Diniz Filho (46) LEMBRANÇA DE DELETAR
LEMBRANÇA DE DELETAR A Álvares de Azevedo
Quando do mouse desprender-se o fio, que liga o computador à mente, será o fim de meus delírios neste mundo de doentes.
E se uma lágrima as pálpebras me inunda, se uma luz na tela insiste ainda, é pela amiga virtual… a quem nunca um vírus destruiu a face linda.
Registrem, pois, meus feitos literários nos sites, entre muitos, esquecidos; e a página do orkut, escrevam nela: - Teve um blogue – apagou – e perdeu a vida.
Edweine Loureiro da Silva (47) Pode Amar é de Graça
Pode Amar é de Graça Pode amar é de graça. Frio Sujo Curto Sou Casa Nojo Pode amar é de graça. Sexo Bucal Carnal Tua Fantasia Carnaval Pode amar é de graça. Bebo Desgraça Enquanto Que Minto Sonhos Pode amar é de graça. Grátis Sou Quase Brinde Em Tua Vida (48) HORIZONTE NU
HORIZONTE NU
Aqui o litoral seduz o corpo, a água esconde um mar de sêmen, a espuma lambe os pés com língua de sal.
Dissessem antes do horizonte nu, a inauguração teria sido na linha do oceano, jamais entre as paredes de uma casa. (Casas degolam liberdades.) Ao vento marítimo todos os rumos são possíveis, as algas abrem caminhos múltiplos atraindo os passos dos pensamentos, submergindo o mofo dos dias.
Dissessem antes da solidão atlântica, a inquietude urbana viria para um banho de sol, estariam vazias as ruas e as pessoas. Ruas têm sempre esquinas e pessoas são sempre cascas de subterfúgios, ambas não conhecem o dialeto infinito da distância. Aqui, ao pé das ondas, decifra-se a escrita dos náufragos. Apenas dedos afundados no abismo narram com claridade a vida.
Aí atrás está o fim do horizonte, um arremedo de horizonte com roupas sobre a pele. Há a resposta que o sangue vomita. Há mais casas que céus, mais pó que gotas e um chão sem areia morna nem cheiro de maresia.
Nesse lugar o futuro é um peixe nascido sem nadadeiras.
(49) O Poeta do Poema.
O Poeta do Poema.
O poeta escreve o poema O poema é o próprio poeta O leitor lê o poema e interpreta O poema já é leitor e não poeta Mas o poema volta ao poeta E vêm também novas idéias E o poeta já não é o mesmo O poema já não é o mesmo O poeta lê o poema e interpreta Agora o poema já não é o poeta O poeta já não é o poeta O poeta é leitor e interpreta O poema é o poema do poeta Que ficou longe do leitor Que um dia sonhou em ser poeta. (50) "Acabaram-se as palavras"
"Acabaram-se as palavras"
Acabaram-se as palavras Só resta o amor
Acabaram, Fui buscá-las ao Dicionário termos, notas, canções poemas de amor
Incendiaram-se contigo Consumaram-se Tornaram-se fogo, Violento abrasador
Mas já não há palavras para expressar, para dizer, para falar
A linguagem é a pontuação de dois corpos nus em vigília, na noite O silêncio tomou conta de nós
A paixão numa palavra ? Absurdo
Acabaram-se as palavras só resta o silêncio ruidoso dos corpos acabaram-se as palavras só resta o amor
Autor Rui Miguel Gonçalves Marques (51) “Se me pedisses”
“Se me pedisses”
Se me pedisses uma aguarela, Dar-te-ia o arco-íris, As sete cores para navegar Percorrer num barco à vela Até onde ele acabar.
Se me pedisses uma flor, Dar-te-ia os jardins suspensos da Babilónia, Faria deles o teu canteiro O mundo antigo inteiro Ao teu dispor.
Se me pedisses um anel, Dar-te-ia os anéis de Saturno, Enrolar-te-ia na minha capa Partiríamos num voo nocturno Pela galáxia.
Se me pedisses um vestido, Dar-te-ia o baile da Cinderela, Uma dança de sonho como a dela Que durasse muito para além Da meia-noite.
Porém, se me pedisses desculpa, Chamar-te-ia apenas infame e cruel, Ou não sabes que a tua única culpa Está nesse teu sorriso de mel Com que derretes o mundo de este a oeste Como me fizeste?
Bernardo Dias
(52) Quando o meu corpo gelar
Quando o meu corpo gelar Quando o coração parar Quero esquecer o mundo Ter a alma a divagar
Quando se for o que sou Quando morrer o que fui Quero apenas perder A noção de quem da alma usufrui
Quando esquecer quem és E esquecer aquilo que sou Quero perder os pés Para não ir onde vou
E quando uma flor negra chorar A minha triste melodia Quando o meu corpo gelar E quando acabar o meu dia.
Andreina Duarte (53) Sorri
Sorri, Sorri sempre Com teu sorriso alegre, generoso, colorido Com teu olhar brilhante, onde tudo faz sentido Com graça de sonhador, cheio de ideias e esperança Sorriso solto, inocente, que lembra uma criança
Sorri Sorri agora mais alto, com mais força, mais talento Deixa o teu riso voar, ser levado pelo vento Pairando sobre a cidade, sobre o campo e sobre o mar Ouvindo-se em todo o lado, e o mundo contagiar
Ri ainda mais um pouco, provando que és feliz Mostrando que o nosso mundo é melhor do que se diz É nele que nós crescemos, construímos, aprendemos Que o sorriso mais sincero é o melhor que oferecemos
Sorri, Sorri sempre Com teu sorriso alegre, generoso, colorido…
Paula Baúto (54) De novo por cá
De novo por cá
Já chegaram, estão todos cá os hitleres voltaram há minha terra, solenes, mil promessas fazem já, vida boa para todos, nada de guerra
Dizem que vieram de amor fardados Nem espingardas, nem espadas de sorrisos nos lábios vieram armados de boas intenções, abonados
Andam aí todos pelas ruas da minha terra Falam manso, a todos dão uma mão juram que tudo fazem a bem da nação
Já voltaram os dias da noite escura Já a mentira, sua adaga enterra Já a verdade deixou de ser segura
Zé Ru+ (55) Meus Olhos
Meus olhos Meu olhar dança nas ondas azuis das montanhas, Caminha, corre, sobe e desce a ladeira distante. Olhar bêbado sai vagando caminhos sem volta, Embrulhando momentos, só por um instante.
Meu olhar voa sem medo outros mundos, Vislumbrando espectros sombrios das florestas E com os olhos de dentro vê o que lá fora dorme Aquilo que fica nas esquinas, nas arestas.
Meus olhos dançam de roda nas cirandas, Brincam de amarelinha jogando a pedra ao léu. E tonto de rodar pisca, pisca como estrelas E a menina do olhar vai cair lá no céu.
Tenho nos olhos a nascente de um rio salgado, Onde embarcações viajam sem eira nem beira. Nas suas margens, ribeirinhos dançam e cantam, Lavando as mágoas no rio-mar, que nem lavadeira.
Num sono profundo muito além do mundo As janelas dos meus olhos vão se fechar Não bata na vidraça, não faça ruído algum. Apague as luzes e sai de mansinho, devagar. (56) Intimidade...
Intimidade…
Mãos se unem por entre olhares encantadores Aconchegam-se bem de leve e tocam-se pelo coração Olhares se fundem como feras e pecadores Lábios se beijam ritmados numa canção
Toques suaves se fazem deslizar Magia por entre os dedos e suspiros Corpos num só corpo se fazem amar Momento preenchido de todos os outros vazios
Gritos de prazer unem a terra e luar Tempestade se acalma por entre vales e rios Tranquilizam-se as ondas do mais severo mar Seres se enlaçam pelo nó de dois fios
Intimidade num estado de alma pessoal Dois corpos se entregam pela magia do amor Sentimento puro de tal forma natural Corações solitários se juntam com ardor!
Sónia Isabel de Campos Lopes (57) Haja Amor..
Amo a vida a preceito,
Fernando Silva (58) Domingo
Não estava apaixonado,
Eryck Magalhães (59) asas bravias
asas bravias
batem sem contenção num movimento rudimentar
as asas da contradição não aceitam conformismos
não têm a beleza de um majestoso voar
não têm a riqueza que embeleza a visão
não são simétricas na sua envolvência
não registam o agrado dos semblantes
mas são a força pura da liberdade
António MR Martins
(60) Decifrar o Céu
Decifrar o Céu
Soubesse eu decifrar o céu, Códigos estrelares escondem o infinito querer,
Guilherme Almeida (61) Deusa
Deusa
Passeias-te com o teu ar superior de quase imaculada. Essa tua pose quase idílica deixa transparecer Uma perfeição quase notável que me deixa estarrecido A olhar para ti Como se não existisse mais nada, E mesmo existindo Tudo o resto não tem importância alguma.
Mas que figura tão platónica a tua. Brincas com os passos como quem dança Uma dança eternamente feliz. Danças e giras o mundo à tua volta Com uma facilidade incrível. És tu quem comanda o mundo. És tu a dona de tudo o que existe.
Deusa.
(62) Sádico
Sádico
Vem divertir-te no meu jardim perverso Em flores estendido e ordinário Põe-te ilustrada por avesso E agita o teu chapéu como um corsário
Que eu te quero sem amor debaixo Das Palmeiras e de Abacates Que eu quero-te lisa num banco estreito Sonhado a ouro de nenhum quilate
Porque Amor é droga seminal É soneto que se dobra de um regaço E o teu corpo é mais belo afinal Na demora de um astro
Tu que preferes os ventos por sentir Deixas-me embora frágil, desmedido Na praia onde delira inexplorada A nossa Amizade arrebatada!
Daniel Correia (63) Teus Olhos
Teus Olhos
Teus lindos olhos, feitos de histórias De aventura, de pontos de luz Envolvidos, sobre uma sombra De perguntas e claros de respostas Respondidas perante a vida Do que te rodeou e envolveu, Do que ficou, do que desapareceu... Mas tua visão demonstra A abertura para um mundo de tranquilidade No qual teu olhar profundo deseja E pede para seres tu a o governar... Não vês somente o que queres, Empurras teu olhar para tudo o que não Pudeste ver, para uma realidade Que faça teus olhos descansar, De focar os detalhes de um mundo que pouco te diz Do qual olhaste e não acreditaste que fosse somente assim... Projectas uma força incrível que não te deixou Para trás, que não esmorece de teus olhos... Como o mundo não foi preparado para a perfeição do teu olhar E ele não foi feito para te ver, esse desentendimento Foi alcançado pelos meus olhos, tantas vezes distraídos Em pensamentos de utopia, que me fizeram crer Em outros elementos que o mundo não suporta, Mas os teus lindos olhos, calmos, enfurecidos, meu amor Foram eles que fizeram ver aos meus que a beleza, A autenticidade que o mundo perdera, Se encontra no teu olhar mais simples...
Sílvia Barroso (64) Regaços Infinitos
Regaços Infinitos
A vida mora em cada pedaço de mundo, Num orgânico esplendor de diversidade, Que ausenta o tempo de qualquer segundo, No olvido do preceito que nos escreve Humanidade. É uma junção de sangue avulso Que estoicamente desagua numa imensidão, De sensações que te avivam o pulso E maresias aprazíveis à razão do coração. São árvores outorgadas ao conhecimento E um misto de sons que unem as gentes Uma ponte instintiva a cada elemento, Que ecoa num céu de seres reluzentes, Espelhando o prazer de uma onda do mar, Ou um manto de neve na vizinha montanha, Consagrando à natureza o prazer de se amar E aos sentidos esse grado que se entranha, Por entre qualquer infinidade de existência Que possa por aí insistir em permanecer, Qualquer bárbara paixão de inocência, Onde um Homem possa se socorrer Dos olhos da norma que ensina a mentir, E esquecer a infância que nos traz à felicidade, Apregoando momentos próprios para sorrir E enredando o prazer inapto da simplicidade. Não é dos grandes que reza esta mensagem, Nem dos actos descritos como eternas glórias, Mas sim de provar pelo sabor a viagem De entregar à efemeridade qualquer memória.
André Rala (65) Nós e o Mundo
Nós e o Mundo (66) A PALAVRA
A PALAVRA
As palavras versos dão A palavra é uma paixão A palavra é uma semente A palavra só se admira
Cidália Miravento (67) Tudo
Tudo ________________________________________
Anda comigo, observemos o mar, E falemos e cantemos e juras e carinhos troquemos, E amemo-nos na areia que luz ao luar, E por fim, sob a chuva quente, descansemos.
Acordemos depois e de nós duvidemos, Duvidemos de ti, duvidemos de mim, Duvidemos do mundo e então por fim Paremos, desistamos e pensemos e crescemos!
Não.
Tentemos o que não tentámos E vivamos, ignorando que crescemos, E apreciemos o que de mais belo visámos E que por medo deste fado não fizemos.
Anda comigo e esquece o passado e o futuro E esquece o presente, porque o tempo é só um, Porque é por ti que eu vivo, e é a mim que censuro, Porque és tu a razão de eu ser todos e nenhum, E por isso vive! Vive e ama-me, Porque é tudo o que peço e tudo o que quero! Ama-me! É tudo o que espero…
Paulo Buchinho
(68) ÂNSIA
ÂNSIA
Sou um mar tempestuoso que se estende pela praia; Um rio de águas violentas fugindo das margens opressoras; O vento agreste e purificador que sussurra entre as fragas; Sou um pássaro que conquista os céus sem fim; A borboleta que dança de flor em flor sem escolher nenhuma; Sou tudo isso e muito mais, Amarrada a uma existência que me oprime; Ânsia incessante...Inquieta... Sou imensa... Sou mais do que eu... E por tudo isso, não caibo dentro de mim. No limiar da realidade e da fantasia: é aí que permaneço. Não sou de uma nem de outra: sou de ambas. Sou imensa! Por isso não caibo dentro de mim !
Calíope (pseudónimo) (69) MORFOLOGIAS II – NOITES DE LISBOA
MORFOLOGIAS II – NOITES DE LISBOA
Com pincéis e tintas e água construí fogos brancos, fulgores, diluí melodias, cedi a impulsos. Desapareci ao acaso, coloquiei de formas diferentes, caminhei por entre buzinas e sirenes. Cegos, todos cegos … Canto do agreste, abraçamos a intranquilidade, a paixão, a indiferença, a mão amiga não deixa existir portas de saída … E então porquê, diz-me, assim se anima a noite, fala-me das esquinas, dos bêbedos nos cantos dos jardins, a fonte, a vida, as prostitutas. Então porquê, diz-me, tudo se apaga num momento … Fala-me dos dias também, que o negrume escureceu, fala-me da sorte, do azar e da certeza, fada que o lume da estrela adormeceu, fala-me de monstros e beleza … Ocultas as noites, ocultas as manhãs, por cada passo, que longa caminhada …
Fernando Lopes
(70) Mistério
Mistério
Antes de manhã, talvez clara Era a sombra do mistério que Envolto em uma mística rara Um sonho absurdo, antigo, navego.
E o mistério próximo, palpável, Encarnou na hora terceira E cri ser única, insondável, A hora, breve, derradeira.
A velejar o tempo navegante Onde nada resta, e a idéia vela, Respiro a quimera, vaga, arquejante
E mergulho no absurdo que se revela... O mistério, poeta, é o horizonte distante Que contemplo da minha janela.
Gustavo Figueiredo
(71) Saudades de ti
Saudades de ti
Eu sinto esta saudade tamanha, Do tempo que se foi e não voltou, Daquilo que eu fui e já não sou, E me faz sentir uma dor tão estranha.
Uma dor que carrego no meu peito, Que me dói quando passo aquela rua, Que durante tantos anos foi a “tua” E eu olho para ela com respeito.
Sei que cada pedra da calçada, Recorda o barulho dos teus passos, Como eu recordo a tua imagem.
Agora o que resta, não é nada, Apenas o calor dos teus abraços, Que deixas-te na tua curta passagem
Idalina Pata (72) Pequenos Nadas
Pequenos Nadas
São pequenos nadas Que guardo no peito Tal como este momento perfeito Onde me encontro agora E que me floresce o canto Nos meus olhos de encanto E que não deixo ir embora. São pequenos nadas Que beijam a ferida Da minha alma com vida Cheia de amor e saudade E que se lançam ao mar Para salvar os sonhos Que ele me tirou por maldade. São pequenos nadas Que vestem com calor As noites de luar E que até à luz do alvor Me fazem acariciar Os pequenos nadas em flor. São pequenos nadas... São ternuras bravias... Que me encantam as madrugadas... Que me encantam os dias... E a que me entrego com fervor Pois estes pequenos nadas São, tão simplesmente, Pingos puros de amor.
Carla
(73) Escreve-me
Escreve-me
Escreve para mim o mais belo poema de amor, disse-te eu um dia Tu olhaste-me com ternura infinda e correste desenfreado à procura das palavras... Colheste-as uma a uma e escreveste-as no papel
Lê-as devagarinho, disseste-me tu um dia E eu, com medo do desengano, li as reticências, as vírgulas e os pontos finais Quando terminei, no silêncio de mim, o coração chorou baixinho com o assombro das palavras...
Apertei nas mãos e fiz calar o que tinha escrito para ti... Definitivamente não sei escrever poemas de amor!
Margarida Pinto Duarte (74) Nó górdio
Nó górdio
Tatiana Alves
Todas as vezes em que ocorre um dilema, Em que o homem se depara com o fracasso, Ele pensa, ao mirar a própria algema, Em tudo aquilo que lhe falta ou é escasso.
Não percebe, pobre homem, que, na vida, O destino é voltar um dia ao pó E que aquele que deste saber duvida Está fadado a ser voz que canta só.
E blasfema, sem qualquer pejo ou dó, Diante dessa dor que o arrebata. Ignora que a vida é qual um nó Que só finda quando a morte o desata. (75) Finis Patriae
Finis Patriae
André Caldas
Na minha terra não há mais palmeiras... Na minha terra não há passarinhos... Na minha terra não há nem bandeiras... Na minha terra não há mais moinhos...
Em ciranda da carne putrefata, Voam os urubus, mais-que-famintos, Homens e animais mortos pela estrada, Todos os sonhos, pretéritos, extintos.
Desta terra o povo não é seu dono, Mas há aqueles que se intitulam Reis... Disseminam a miséria e o abandono... Sem flores, sem amores, sem leis. (76) Caminhos de Luz
Caminhos de Luz
A cor de um segundo de emoção É o azul que esverdeia a minha dor, Voo no tempo e sonho com paixão Por caminhos de luz no meu olhar!
Olhar que encanta em cada canto Onde destemido enfrento cada perigo, E por mares e horizontes percorridos Semeio as flores do meu destino!
O destino cantado por embalos de amor Que trazem a mim uma vida com sabor, Um abraço apertado aquece minha alma E num sorriso torna eterno um momento!
Um momento escrito numa doce verdade Que tem de ser regada em cada silêncio, Para que o fogo ferido do corpo que mente Não se apodere da mente feliz e curada!
E nas lembranças de um passado cansado Construo o presente que me ilumina, Dou cor ao intenso futuro que sonho E pinto desejos de esperança e alegria!
Desejos que me guiam a cada sombra Onde o sol brilha num instante, Pedaços de uma viagem de magia Em busca da felicidade sem limite!
Luís David Ribeiro Rola (77) Um dia, quando...
Um dia, quando...
Um dia, quando o céu chorar e os anjos caírem
Leonor Teixeira (78) «Ímpio Caleidoscópio»
«Ímpio Caleidoscópio»
Caprichosa ente, também mente! Refina-se lá no longínquo Olimpo Disléxicas papoilas, sapiência extraem, atenção redobrada! Entre o amanhecer e o anoitecer vangloriam-se das maçónicas sabotagens
Formidável sexto sentido! Mentes desincorporam! Pecados mortais sugam, dignas trovadoras representam Alambicam a canhoada, ELAS seleccionam! Inteligentes escravos do prazer, os pinga-amores?
Engalanam-se de ricas sedas, pronunciam os andamentos! Quantos mistos panejamentos! Sopram os teoremas Espalham amiúde transcendentes fungos! Ejectam as libidinais lentes humanas
Plantam ornatos aparelhos, cuidado Exmos. senhores! Nada sabemos, nada tememos, ELAS tudo temem! Indolentes e astutas propriedades ELAS economizam Amálgamas de coloridos trejeitos, nas alheias areias esvoaçam-se
Disformes personagens, comprometidos olhares entoam É a pauta dos bélicos contos! Acordem! Autografam-se os suaves contornos Tentamos desmistificar, mas mistificados adormecemos!
Cronometram as morais lições, as esfinges implementações Corram, corram programadas criaturas, cegos sois? Ouço decadentes pianos, isolam-nos a moral! Ímpios caleidoscópios, quãs poderosas alucinações!
Por: Luís Filipe Marinheiro (79) As mulheres da minha aldeia
As mulheres da minha aldeia
As mulheres da minha aldeia Junto ao rio e à serra Acordam em lua cheia Pintam as unhas com terra
As mulheres da minha aldeia Vestem capuchas e socas Cansadas depois da ceia Fiam cuidados nas rocas
Filhos são os que Deus quer Só a natura as enleia O pão é o que vier
E a alma é o que se quer
O trabalho é a sua teia A família a sua ideia São mais que qualquer mulher
João Sevivas (80) Existo para ti
Existo para ti Bosque fechado, cerrado Superstição Eterno anel de noivado Olhar nunca calado Espero e esperarei
Serás sempre virgem Enquanto não te provar Deixa-te abandonar Vem ao meu encontro Perde o medo, ganha alma Tira a pintura da cara Mostra-me a tua calma
Simples, deslumbre Hecatombe de desejo O que eu faço por um beijo Tudo, tudo, tudo Um leito de rosmaninho Esse é o caminho
Faço e desfaço e vou-te desfazer Se às mãos me vieres ter
Aldeia Lacustre (81) A poesia
A poesia
O sol corria de mãos dadas com a esperança, Enquanto o dia se curvava num amargo fim… Lá fora o vento anunciou a bonança: Sobre a chama da paixão pousas-Te em mim…
Julgava-te sem brilho num deserto apertado! Acordarei do silêncio? Nos meus olhos o mar, Não tem tormentos… Vem evocar o passado! És a semente generosa que regressa ao lar…
Aqui estou! Um servo na tua mão Para receber a inspiração como sacramento. Já sinto a espada nos meus ombros, com a verdade…
Numa salva suplico-Te: não sejas uma ilusão! Quero os teus dedos nos meus num momento Para que sentir de novo a imortalidade.
Peresalves 2011-03-23 (82) Partiste caravela
Partiste caravela, rumo ao mar, Criancinha a brincar na agitação De ser adulta, não ter salvação, E saudade deixaste p'ra lembrar;
Saudade da certeza no chorar E em braços de mãe ter consolação; Saudade prisioneira da razão Que livremente a dor tenta abafar;
Saudade que apertando lá no fundo Do sentir desenlaça a curta vida, Tão longa que a saudade gera o Mundo;
E em busca da inocência já perdida Nas ondas da saudade, mar profundo, Choro numa alegria desmedida.
Gonçalo Dias Figueiredo
(83) Prefiro não saber
Prefiro não saber Mas escrevo Poesia. Por arte ou necessidade, Sei apenas que é tarde E que o meu Mar de palavras tem 21 portos de salvação.
[Os meus dias são versos, Os meus meses são quadras, Os meus anos são poemas.]
Então que a minha vida Me encha de temas, Me liberte da rotina E me desvende o Ser.
Não sei porque razão Mas escrevo Poesia, Então que os problemas Sejam a minha maresia, Que me levem a escrever. E que a escrita me leve a viver. A razão? Prefiro não saber... (84) Preto no Branco
Preto no Branco
(85) Subo as escadas lá fora
Subo as escadas lá fora, Degrau a degrau, Como se nunca houvesse um fim. Continuo passo a passo, Dia após dia, Apressadamente, Sem ver realmente o que me rodeia. Hoje preocupa-me onde é que a vida me vai levar E para onde. Caio vezes sem conta sobre um colchão E tento dormir Mais uma noite. Mais um dia. Mais e contraditoriamente menos tempo. Assusto-me. Arrefeço de medo. Gelam-se-me os pensamentos. Choro silenciosamente, Enquanto que a raiva que me aconchega torna-me inquieta. Adormeço mais tarde. Depois acordo e suspiro baixinho: - O tempo não quer parar.
Rute Morais
(86) Gaiola Vazia
Gaiola Vazia
Sinto que quando saio de mim deixo para trás uma gaiola vazia, dando lugar ao tempo que decorre intermitente com o despenhar das folhas.
E há em cada despertar meu um bater de asas tão forte, que já nem sei se ainda habito a terra que em mim habita.
Sim, é minha intenção perder-me. Não adianta que me pintem oceanos nas mãos, se nunca os aprendi a ler.
E a ti, que tens um nome igual a tantos outros, deixo-te a flutuar no nevoeiro das tuas ocas certezas.
Eu? Eu pertenço às árvores, ao vento e a tudo onde caiba o que em mim pode caber.
E há em cada palavra proferida tamanha fugacidade, que já nem sei se escrevo como falo ou se falo como escrevo.
Sofia Gomes (87) “Melro Madrugador”
“Melro Madrugador”
Acordei a meio da madrugada e ouvi ainda estremunhado!... Levantei-me devagarinho e fui à janela espreitei com curiosidade e de perto o vi ….
Encantei-me com aquela melodia tão bela que até parecia chamar por mim. À quanto tempo o não ouvia numa manhã tão fria!...
Tão melodiosa entoada extasiado e cheio de nostalgia …. ficando minha alma encantada.
Era um melro negro de bico amarelo gracioso e muito divertido!... que por magia parecia tão belo declamava um poema tão sentido.
Quem diria que tinha tanto talento para tão divertida canção …. cantiga lançada ao vento que penetra no meu coração.
Ai o melro!... esse vadio é negro e muito divertido…. como é generoso e amigo interrompe a cantiga com um assobio … naquela manhã de frio …. soltando de vês em quando um gemido.
Artur Cardoso (88) Adequação
Adequação
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Poesia
em Rede, 6 de Abril de 2011 -
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